Bandeirismo: Consequências, Tipos de Bandeira e Prospecção


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Uma cidade pobre esvaziou-se de homens, mulheres e meninos: todos partiam para o sertão. Na volta, milhares de índios acompanhavam os seus captores.

Quando se deu um balanço em meio século de bandeirismo de “caça ao índio”, verificou-se que os sertanistas rudes, ávidos de lucro, haviam servido de ponta de lança à expansão portuguesa na América e definido, em suas marchas, as dimensões atuais do Brasil.



Bandeirismo de apresamento

Apesar de haverem buscado as regiões meridionais do continente, estabelecendo nessas áreas até então inexploradas os primeiros focos difusores da cultura européia, os jesuítas não permaneceram por muito tempo fora do alcance das frentes de colonização.

A partir da segunda década do século XVII, o apresamento dos indígenas reunidos nas missões tornou-se uma atividade extremamente rendosa para os habitantes de São Paulo e, em menor escala, de Assunção, duas cidades americanas situadas na “boca do sertão”, longe do litoral.

Duas fases da caça ao índio

Desde 1562, quando João Ramalho levou a guerra às tribos do vale do Paraíba, os paulistas verificaram que a “caça ao índio” podia transformar-se numa atividade econômica sistemática.



De resto, não havia muitas opções: longe do litoral, sem dispor de solos apropriados ao cultivo da cana, São Paulo sobreviveu à custa de uma agricultura precária.

E foi para conseguir escravos para suas plantações que os paulistas investiram sobre as aldeias de “índios bravos” do Anhembi (Tietê) e do Jetical, nas últimas décadas do século XVI.

Em 1606 e 1607, Manuel Preto e Belchior Dias Carneiro conduziram bandeiras ao sul do Brasil. Poucos anos depois, os jesuítas estabeleceram suas missões nessas áreas – e a “caça ao índio” ganhou nova dimensão.

Em vez das expedições às aldeias de “índios bravos”, os paulistas organizaram-se para atacar as missões jesuíticas, que reuniam milhares de indígenas habituados ao trabalho agrícola – e desarmados.

Em 1619 o experiente sertanista Manuel Preto deu início à ofensiva bandeirante, atacando aldeias da província jesuítica do Guairá. Os resultados foram promissores, a ponto de, em 1623, São Paulo ser uma cidade de mulheres e velhos.

A população masculina alistava-se nas bandeiras organizadas pelos paulistas mais prósperos e partia para o sertão. A 18 de setembro de 1628, deixava São Paulo a mais poderosa bandeira até então organizada.

Eram 2 000 índios flecheiros e 900 mamelucos, liderados por 69 paulistas. No comando estava o mestrede-campo Manuel Preto;, seu imediato era Antônio Raposo Tavares. Seu destino, a região do Guairá. Seu objetivo: desencadear a ofensiva geral contra as aldeias jesuíticas.

Foram quatro anos de combates, mas, em 1632, a província jesuítica do Guairá deixara de existir. Em seguida, os bandeirantes diversificaram suas frentes.



Em 1632 atacaram a recém organizada província do Itatim; em 1633 Raposo Tavares fez as primeiras incursões em território rio-grandense.

Entre 1635 e 1637 Raposo Tavares e outros sertanistas destruíram a província do Tape; no ano seguinte foi a vez da província jesuítica do Uruguai, golpeada por Fernão Dias Pais (tio de Fernão Dias País Leme, um dos maiores vultos da segunda fase do bandeirismo, a de busca de metais preciosos).

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Consequências

O bandeirismo de apresamento teve sua fase áurea entre 1628 e 1638, com a destruição sucessiva das missões do Guairá, Tape e Uruguai.

Sem meios de recuperar o terreno perdido, os padres recuaram para as missões situadas entre os rios Uruguai e Paraná – em 1641, pela primeira vez, tropas guaranis levaram a melhor na luta com os bandeirantes. Os tempos eram outros.

Enquanto durou a União Ibérica, as missões jesuíticas constituíram um corpo estranho à exploração mercantil do continente pelos súditos da Espanha, fossem eles de origem portuguesa ou espanhola.

A partir de 1640, entretanto, os bandeirantes tornaram-se a ponta de lança da expansão portuguesa na América – e os missionários e seus convertidos, a primeira linha de defesa da América espanhola.

Foi por isso que a Espanha concordou em distribuir armas aos índios convertidos, atendendo a uma reivindicação apresentada pela Companhia de Jesus desde os primeiros ataques dos bandeirantes.

A “caça ao índio” deixou de ser um “negócio sem riscos”, o que veio retirar a esta atividade boa parte de seus atrativos. Todavia, na região do Itatim, os combates continuaram até 1647, quando Antônio Raposo Tavares destruiu definitivamente aquela província.

Para isso, teve a cumplicidade das autoridades de Assunção, que defendiam os interesses dos encomendeiros, exploradores do trabalho forçado dos indígenas.

A epopeia de Raposo Tavares

A destruição do Itatim, em 1647, praticamente marcou o término do bandeirismo de apresamento. O balanço era extraordinário, além dos milhares de índios capturados e vendidos aos grandes fazendeiros do Nordeste e do Sudeste, os sertanistas forçaram o recuo da linha de Tordesilhas, viabilizando a América portuguesa e definindo as dimensões continentais do nosso território.

Nesse aspecto paralelo, e decisivo, do bandeirismo de apresamento, a figura principal é mais uma vez Antônio Raposo Tavares.

Entre 1648 e 1651 o destruidor das missões percorreu todo o continente americano, indo de São Paulo ao coração da América espanhola – a região entre Potosi e Santa Cruz de Ia Sierra – e depois seguindo viagem até o forte de Gurupá, próximo a Belém.

Nessa última etapa, os 120 paulistas e 1 200 índios com que partira estavam reduzidos a algumas dezenas de homens exaustos.

Contam os relatos que os sobreviventes da grande expedição chegaram tão esgotados a São Paulo que os parentes de Raposo Tavares não o reconheceram.

Mas a missão estava cumprida. Três anos de esforços desbravando o sertão haviam levantado informações preciosas sobre milhares de quilômetros de terras desconhecidas, entre o trópico de Capricórnio e o equador, muitas das quais viriam se integrar à América portuguesa.

Tipos de Bandeiras

Em constante direcionamento ao interior da ámerica do sul. O bandeirismo surgia de um caráter exclusivamente econômico, sendo apoiados pela coroa e seus intermediários, até mesma pela região como forma de investimento.

O Bandeirismo é constituído de 3 principais tipos:

Bandeiras de apresentamento

Seus objetivos eram as capturas dos índios, assim, usando-os como escravos.

Bandeiras de Prospecção

Seus interesses eram pelas buscas de minérios preciosos ou rentáveis, como minas de ouro, cobre, prata e pedras preciosas.

Bandeiras de contrato

Seus objetivos eram recapturar escravos fugitivos e destruir quilombos.

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Imagem-   marcobadolato.wordpress.com      musiclanguages.com