Abdicação de Dom Pedro I: Motivos e Como Aconteceu


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As divergências entre o Imperador Pedro I e as elites brasileiras começaram a se manifestar desde os primeiros meses após a Independência, evidenciando-se nas constantes crises políticas e rebeliões que marcaram o Primeiro Reinado.

Após cada crise, o imperador tendia a se aproximar mais dos grupos portugueses fixados no Brasil, o que despertava suspeitas ainda maiores, até que se impôs a separação entre os brasileiros e seu “Defensor Perpétuo”. Estava para acontecer a Abdicação de Dom Pedro I.



O começo

As desconfianças que os brasileiros demonstravam em relação à Abdicação de Dom Pedro I tornaram-se ainda mais acentuadas quando se colocou a questão da sucessão em Portugal. A morte de Dom João VI deixara vago o trono dos Bragança, com dois possíveis herdeiros: Dom Pedro, o mais velho, e seu irmão Dom Miguel.

Dom Miguel assumiu como regente, numa monarquia constitucional (1826). Dois anos depois, Dom Miguel declarou-se soberano absoluto de Portugal. Muitos constitucionalistas portugueses refugiaram-se no Brasil. Aqui, com o apoio aberto do imperador, prepararam-se para a reconquista do trono português.

Descuidando-se das questões brasileiras e debilitando ainda mais as críticas finanças nacionais, o imperador despertou a desaprovação de todo o país. Em 1829, o numero de pessoas a favor da Abdicação de Dom Pedro I era um fato consumado. E o início da década seguinte traria consigo novos e decisivos conflitos. Logo o Brasil estaria a presenciar a Abdicação de Dom Pedro I.



Motivos que levaram a Abdicação de Dom Pedro I

Em novembro de 1830, o incansável jornalista foi assassinado a tiros. Imediatamente, sua morte foi imputada ao juiz de direito que ordenara a prisão dos estudantes, pessoa intimamente ligada ao imperador.

Uma onda de indignação atingiu o país, que exigia a punição dos culpados e suspeitava da cumplicidade de Dom Pedro com o juiz mandante do crime. As últimas palavras de Badaró – “Morre um liberal mas não morre a liberdade” – mobilizaram todas as províncias pela Abdicação de Dom Pedro I.

A comitiva teve uma recepção fria, sendo obrigada a presenciar cerimônias fúnebres e outras manifestações lamentando a morte de Libero Badaró. O imperador decidiu retornar ao Rio de Janeiro.

Garrafadas

Começaram os choques de rua, que culminaram com a “Noite das Garrafadas”. Nessa noite os brasileiros invadiram o quarteirão dos portugueses em festa.

De todas as janelas foram atiradas garrafas contra os brasileiros. A luta generalizou-se com numerosos feridos e as escaramuças continuaram por vários dias.

No dia 17 de março, 24 deputados brasileiros resolveram enviar uma representação a Dom Pedro, exigindo a punição dos portugueses envolvidos no conflito, já que as prisões estavam repletas de brasileiros.

Os protestos prosseguiram com a crise evoluindo para uma situação de franca rebeldia. Começaram a ser feitos contatos com as tropas, visando a obter seu apoio a Abdicação de Dom Pedro I. E, pouco a pouco, os comandantes do Exército aderiram à revolta, como foi o caso dos três irmãos Lima e Silva, oficiais de grande prestigio.

Além dessas conspirações, os jornais protestavam abertamente e a população do Rio de Janeiro prosseguia em manifestações a favor da Abdicação de Dom Pedro I, sem que o Ministério “brasileiro” se preocupasse em reprimi-Ias. A 5 de abril Dom Pedro I deu nova guinada, entregando o Ministério a portugueses partidários do absolutismo.



Como Aconteceu a Abdicação de Dão Pedro I

Dom Pedro recebeu os representantes da população com frases de efeito – “Tudo farei para o povo, nada porém pelo povo”, teria afirmado – e recusou-se a demitir seus ministros; mas logo ficou claro que não dispunha mais de qualquer base de sustentação no poder.  A 7 de abril de 1831, Dom Pedro I abdicou, “para não levar o país a uma guerra”, conforme escreveu posteriormente.

Designou José Bonifácio como tutor do príncipe herdeiro e embarcou para a Europa a 12 de abril, chegando a Cherburgo, na França, a 12 de junho.

E então Dom Pedro verificou que sua imagem de libertador de uma nação conseguira de algum modo sobreviver, no velho continente.

O príncipe que exigira extremo rigor na repressão aos pernambucanos foi recebido como um soberano liberal “vítima das circunstâncias”, que havia renunciado ao poder para não ser forçado a reprimir seus súditos inconstantes.

Dom Pedro I do Brasil tornou-se Dom Pedro IV, rei de Portugal e dos Algarves. Morreu em 1834, depois de assistir à aclamação de sua filha como rainha de Portugal.

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Imagem-  maiscuriosidade.com.br