Cretenses – Quem foram, Crença e Origem

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Creta, a maior ilha do mar Egeu, situa- se a sudeste da península Balcânica. Tem dimensões bem modestas: 8 379 2 de superfície, com formato alongado – 200 km de comprimento e largura variável entre 12 e 57 km.

Acredita-se que os primeiros habitantes Cretenses da ilha tenham vindo das costas da atual Turquia ou do Líbano, estabelecendo-se ali durante o período Neolítico (VI ou V milênio a.C.), mas foi entre 2600 e 2400 a.C. que começou a configurar-se a chamada cultura minoica.

Cretenses – Sociedade

Vilarejos e cidades praticamente independentes prosperaram, graças à agricultura (oliveiras, parreiras, frutas diversas, trigo), à criação (bois e ovelhas), à pesca e, principalmente, ao comércio marítimo com as ilhas vizinhas.

Os barcos cretenses, construídos com a madeira dos bosques, naquela época muito densos nas zonas montanhosas paralelas à costa sul, eram impelidos por velas e remos.

Os cretenses tornaram-se peritos em navegar pelo mar Mediterrâneo; durante o dia havia sempre o pico de urna montanha ou o perfil de uma costa conhecida para servir de referência – à noite podia-se aportar em uma praia e esperar o amanhecer paira prosseguir a viagem.

A experiência de séculos ensinou esses navegadores a se orientarem pelo Sol e pelas estrelas, indo de ilha em ilha até a Grécia e em seguida dando o “grande salto” até o sul da Itália, ou então, no sentido do oriente, até as costas do Líbano, para depois seguirem o litoral até o Egito.

A posição da ilha, no centro da rota de três continentes – Europa, Ásia e África -‘ teve grande influência no desenvolvimento ali de uma das mais brilhantes civilizações antigas.

Cultura Marítima

Por volta de 2400 a.C. teve início a “febre” dos metais. Ouro, prata e, sobretudo, estanho e cobre – necessários para fundir o bronze – começaram a ser as mercadorias mais procuradas por toda aquela região, do Egito à Grécia, da Itália à Mesopotâmia. Iniciou-se então o período de apogeu de Creta. A ilha não possuía minérios, mas tinha os barcos para transportá-los.

Nos portos estrangeiros, esses barcos descarregavam óleo, vinho, trigo e produtos artesanais, entre eles os saídos das fundições cretenses.

Em troca, embarcavam barras de estanho e cobre ou lingotes já com os dois metais combinados, formando a liga de bronze.

Essas peças eram revendidas ou trabalhadas pelos cretenses, em operações bem-sucedidas. Em questão de decênios, Creta tomou-se um vasto império marítimo, que foi capaz de suplantar pela força seus concorrentes.

Todas as naves cretenses dispunham de forte armamento, e os marinheiros-comerciantes eram excelentes guerreiros, atuando às vezes também como piratas.

Durante séculos ninguém disputou a supremacia da frota cretense: dominava totalmente as águas e sua presença assegurava proteção militar às ricas cidades da ilha.

Crenças

Outra singularidade da civilização cretense: apesar do contato freqüente com o Egito e a Mesopotâmia, esse povo não erigiu grandes construções religiosas.

O espaço divino restringia-se a poucas “capelas”, ou altares singelos. Cultuavam-se, além dos fenômenos da natureza, esfinges, grifos, gênios alados e homens e mulheres com cabeça de animal. Acredita-se que o touro fosse venerado como encarnação de uma “energia vital”.

Mas a abundância de representações femininas, a insistência em acentuar os quadris e desnudar os seios, bem como a presença constante da árvore (que, por dar frutos, em geral é associada à fertilidade), indicam que a divindade predominante era a Grande Mãe, deusa da terra e da fecundidade, presente em muitas religiões antigas.

Caminho para o Fim

Após 1700 a.C., o palácio de Cnossos, o de Festo e o de outras cidades foram construídos e Creta ganhou o esplendor antigo. Por volta de 1450 a.C., porém, os aqueus, que se haviam estabelecido na região de Micenas, na Grécia continental, desembarcaram na ilha e dominaram grande parte do reino de Cnossos.

Apesar da dominação grega, algumas localidades conservaram relativa independência e Creta manteve posição de destaque até 1400 a.C., quando ocorreu outra catástrofe. Ignora-se se foi uma malograda rebelião contra os invasores, outra invasão ou um terremoto. Mas o resultado foi a destruição de Cnossos e de outras cidades.

O fim dos Cretenses

A partir de 1450 a.C. os aqueus dominaram Creta, mas não chegaram a exercer influência profunda sobre a civilização cretense, mais antiga e evoluída.

Ao contrário: foram influenciados por ela. Seus traços estão presentes de tal modo na arte “cênica (de Micenas, terra dos aqueus) que é comum a referência à civilização creto-micênica, resultante da fusão de ambas.

Entre 1200 e 1100 a.C., porém, os dórios, que já haviam submetido a maior parte da Grécia continental, inclusive Micenas, dominaram Creta, arrasando o que restava de sua civilização.

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Egito Antigo – Crenças, Origem, Como era e História

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Por volta de 5000 a.C., no período inicial da história do Egito, anterior aos faraós, os primeiros agrupamentos humanos estabeleceram-se na região de Faium. A essas comunidades sucederam-se as de Merinde e El Oman.

Egito Antigo

A população vivia da caça, pesca, agricultura, pecuária e também das atividades extrativas. Cultivavam-se sobretudo trigo, cevada e linho; criavam-se porcos, bois e carneiros.

Das montanhas que margeavam o vale retiravam-se granito, basalto e pedra calcária; das regiões da Núbia extraía-se ouro.

A tamareira, o tamariz e o sicômoro forneciam madeira para a construção dos barcos que navegavam o Nilo. Os grupos familiares constituíam-se em dás, que adotavam um animal como entidade protetora: o totem.

As primeiras aglomerações urbanas, chamadas spats, foram posteriormente designadas pelo termo piamos. No quarto milênio antes de Cristo os nomos estavam divididos e lutavam pela conquista de terras, de escravos e de canais de irrigação, sob a liderança dos chefes locais: os nomarcas.

Com o tempo essas comunidades se agruparam para formar duas grandes unidades territoriais e políticas: o reino do Alto Egito (da primeira catarata do Nilo até Mênfis) e o do Baixo Egito, ujas capitais eram, respectivamente, as cidades de Hieracômpolis e Buto.

Achados arqueológicos permitem deduzir que, por volta do ano 3000 a.C., cada um desses remos era governado por um soberano. A necessidade de melhor aproveitamento da terra, por meio de uma drenagem mais eficiente do rio e da construção de extensos canais de irrigação, aliada à necessidade de expansão do comércio, levou à unificação.

Faraó e Crenças

O faraó, monarca divino Segundo a tradição, a unificação do Alto e Baixo Egito teria sido obra de um rei do Alto Egito – Narmer, também chamado Menés pelos historiadores gregos.

A vitória desse monarca significou a vitória do totem do seu clã – o falcão Iiórus – sobre os inúmeros outros totens egípcios, que passaram à categoria de deuses secundários ou de divindades locais.

A figura do faraó confundia-se com o próprio Hórus e a autoridade da monarquia egípcia apoiou-se, em grande parte, nas noções de imortalidade e de caráter divino do governante.

Tais idéias, aliadas a uma sólida organização administrativa, constituíam os elementos efetivos que asseguravam a continuidade do poder real.

Cabia ao faraó – o rei-deus – administrar os recursos do reino e, na qualidade de imortal, desempenhar o papel de mediador entre os súditos e as divindades.

Império Milenar

Após a unificação promovida por Menés reinaram mais dezoito ou dezenove reis, que formaram as duas primeiras dinastias, com sede em Tis (ou Tinis). Quando se encerrou a II dinastia (2686 a.C.), o faraó Zoser, fundador da III dinastia, transferiu a capital para Mênfis; iniciava-se o Antigo Império ou império Menfita.

O Antigo Império

Estendeu-se da til à VI dinastia (2686/2181 a.C.) e caracterizou-se pelo fortalecimento do poder central, pelo florescimento da vida econômica, baseada na agricultura, e pela criação de uma eficiente máquina administrativa.

A administração central monopolizava o conhecimento em relação ao controle das águas do rio e orientava a criação dos sistemas de diques e canais; desse modo, toda a agricultura passou a depender do poder central.

As nobrezas locais enfraqueceram-se e as terras foram incorporadas às propriedades dos faraós, cultivadas por camponeses que pagavam tributos.

Paralelamente, desenvolveu-se o complexo burocrático, formado pelo primeiro-ministro, vários ministros, governadores das províncias (nomos), prefeitos, conselheiros e escribas.

No período de 2494 a 2345 a.C. (V dinastia) os faraós outorgaram cartas de imunidade aos templos e terras onde eles se situavam, tomando-os propriedade dos sacerdotes e excluindo-os, portanto, do controle do soberano.

Ao mesmo tempo, os administradores provinciais conseguiram privatizar seus cargos e torná-los hereditários. Desse modo, formaram-se ao longo do tempo verdadeiras aristocracias regionais, capazes de desafiar o próprio poder central.

A partir do governo de Pepi II (de acordo com a tradição, 2275-2185 a.C.), o império foi se desmoronando, agitado por revoltas entre os nobres, rebeliões de camponeses e invasões de povos estrangeiros nômades.

O Estado unitário deu lugar a uma série de pequenas unidades políticas, durante a fase conhecida como Primeiro Período Intermediário (2181-1991 a.C.). Neste período, sucederam-se cinco dinastias no poder (da VII àXI).

O Médio Império

A unidade foi restaurada em 2160 a.C. pela IX dinastia e de 1991 a 1786 a.C. desenvolveu-se o período chamado pelos historiadores de Médio Império. A capital passou a ser Tebas.

Durante o Médio Império os agricultores saíram da condição de servos, os artesãos puderam instalar-se por conta própria, as forças militares regionais foram substituídas por um exército de voluntários sob autoridade do poder central e a influência dos sacerdotes foi contida.

Construíram-se templos, pirâmides, canais e barragens; o comércio exterior intensificou-se e a Núbia foi conquistada. No fim da XII dinastia o poder central foi novamente abalado por crises políticas internas, dando início ao Segundo Período Intermediário, que se estendeu de 1786 a 1567 a.C. (Xlii à XVII dinastia).

O Período Posterior

Durante a XXV dinastia, em 671 a.C., o Egito foi invadido pelos assírios, que aí permaneceram nove anos. Psamético 1, príncipe de Saís, fundou a XXVI dinastia e reunificou o Egito.

Os sucessos obtidos pelos faraós dessa dinastia saíta foram breves, pois o país vivia constantemente agitado, sendo obrigado a empregar as forças que lhe restavam para se manter livre da dominação estrangeira.

Em 525 a.C. Cambises anexou o país ao Império Persa, do qual o Egito se libertou em 404 a.C. para ser retomado pelos penas em 343 a.C. terminando a XXX dinastia.

Em 332 a.C. o Egito foi tomado por Alexandre, o Grande, da Macedônia, que fundou Alexandria e fez de seu general Ptolomeu o governante do país.

Este encabeçou a dinastia ptolomaica, que ficou no poder até a morte de Cleópatra, em 30 a.C., quando o Egito foi tomado por Otávio e se tornou província romana.

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Mesopotâmia – História, Origem e Importância

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A Mesopotâmia foi habitada desde o final da Idade da Pedra (quarto milênio antes de Cristo) por importantes civilizações (sumérios, babilônios e assírios, por exemplo) que nos legaram grandes conquistas e descobertas: o uso da roda nos transportes, a divisão do ano em doze meses, a do círculo em 3600 etc.

Devemos também às civilizações da Mesopotâmia uma conquista ainda mais importante: a invenção da escrita (obra dos sumérios, depois aperfeiçoada pelos fenícios, povo vizinho da Mesopotâmia).

Isso foi decisivo para a humanidade: com a escrita, teve início a história, pois os homens passaram a registrar os acontecimentos.

Assim, foi possível reconstituir a história documentada pelos povos que viveram muito antes de nós, através do trabalho de arqueólogos e de estudiosos ocupados em decifrar os antigos sistemas de escrita. No começo, a escrita suméria representava seres e objetos por desenhos simplificados (pictogramas).

Terra entre rios e a Mesopotâmia

O mapa mostra a posição da Mesopotâmia em relação às outras regiões do Oriente Médio. Atualmente, quase toda a região pertence ao fraque, enquanto as zonas periféricas se espalham pela Síria, pela Turquia e pelo Irá.

Periodicamente dois grandes rios o Eufrates, a oeste, e o Tigre, a leste – inundam essas terras, tornando-as férteis. Graças a esses rios, a região tomou o nome de Mesopotâmia, que significa “terra entre rios”.

Aos olhos dos homens que já haviam feito a revolução agrícola e se deslocavam em busca de terras cultiváveis, a Mesopotâmia devia parecer uma região favorável; uma terra difícil, mas que oferecia os recursos necessários a seu aproveitamento. Ali era possível plantar, caçar, pescar e navegar nos rios.

História e Sociedade

A história da Mesopotâmia está repleta de soberanos ilustres, de cidades majestosas e de grandes impérios, mas é, sobretudo, uma história de grandes trabalhos coletivos, de um esforço milenar de milhares de homens para controlar as águas dos rios e tomar férteis as terras da região.

Na primavera, o Tigre e o Eufrates estavam, como ainda hoje, sujeitos a grandes cheias. Quando logo após a enchente de um deles ocorre a cheia do outro, as conseqüências são, ainda hoje, desastrosas: inundações arrastam e submergem tudo.

No verão, porém, o sol escaldante (entre julho e agosto a temperatura alcança até 50°C) provoca períodos de grandes secas.

Na Antiguidade, as zonas cultiváveis da Mesopotâmia e de suas vizinhanças se estendiam da foz do rio Nilo até a do Eufrates, formando uma meia-lua; por isso, aquela região passou a ser conhecida como “o Crescente Fértil”, que abrigaria imponentes cidades, sedes de próspera atividade comercial.

Surgimento das pessoas na Mesopotâmia

Devido à fertilidade da terra, a Mesopotâmia era visitada desde a Pré-História por povos nômades, que lá se dedicavam à coleta de vegetais, à caça e à pesca.

Esses povos migravam nos períodos de secas e enchentes e lutavam entre si, disputando as regiões mais ricas. Segundo registros arqueológicos, o primeiro povo que se fixou na Mesopotâmia (derrotando os nômades e dedicando-se à agricultura) foram os sumérios.

Provavelmente vindo da Ásia central, esse povo dominou a região entre 3500 a.C. e 2000 a.C. e se destacou por seus grandes feitos de engenharia, que lhe permitiram drenar pântanos e irrigar regiões secas, tomando possível o trabalho agrícola.

O nome sumários vem de “Sume?’, palavra que na língua desse povo quer dizer “sul” e refere-se à região da Mesopotâmia habitada por ele.

O norte era chamado de Akkad e também chegou a abrigar cidades sumérias, embora fosse freqüentemente invadido por povos semitas (acádios). De acordo com os arqueólogos, a primeira cidade suméria teria sido Eridu, no sul da Mesopotâmia.

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Economia e Comércio

Durante séculos, os sumérios construíram diques (reservatórios de água) e canais para irrigar e fertilizar as terras onde eles cultivavam árvores frutíferas (como a tamareira) e cereais (como a cevada, que servia para fazer pão e cerveja). Plantava-se também cânhamo, cujas fibras eram usadas para fazer roupas.

Animais eram criados nos campos, e peixes nos diques. Essa fartura originou lendas como a do Paraíso terrestre (Jardim do Eden) a que se refere o livro do Gênese (Antigo Testamento), localizando-o entre os rios Tigre e Eufrates. Outra lenda bíblica oriunda da Mesopotâmia é a do dilúvio universal que consta nas tradições sumérias.

Crenças

Como a vida dos agricultores dependia inteiramente dos elementos e. dos fenômenos naturais, os sumérios, intimamente ligados à terra, acabaram por transforma-los em divindades. Anu era o deus do céu; Enlil, o deus do vento e das tempestades.

Enki ou Ea, o deus da terra e da água e havia muitos outros deuses menores. Cada cidade tinha seu deus principal e em sua homenagem os sumérios construíam um magnífico templo,. isolado no alto de uma colina, talvez para ficar mais “perto” do céu.

Os templos da Mesopotâmia (zigurates) tinham uma forma característica “em degraus”: uma série de terraços superpostos, em cujo topo ficava o templo propriamente dito. O acesso ao templo se fazia por escadas.

O zigurate era cercado de muralhas, que abrigavam também as casas dos sacerdotes, dos agricultores que lhes forneciam alimento, dos artistas que decoravam o templo com esculturas e dos “escribas”, que usavam uma espécie de “carimbo” com ponta triangular para imprimir tábuas de argila mole, que depois iam para um forno, para secar.

Essas inscrições triangulares (escrita cuneifonne) eram um aperfeiçoamento da escrita suméria (que no início”desenhava” os seres que queria representar): grupos de triângulos, formavam palavras diferentes, conforme, sua posição.

Essas tábuas de argila seca formavam as bibliotecas e os arquivos de documentos oficiais (reunião de leis etc.). O templo servia ainda como observatório astronômico. Profundamente religiosos, os sumérios consideravam o rei o representante dos deuses. A morte do soberano era seguida por rituais de lamentação.

Conflitos

Durante a dominação suméria, a Assíria era uma região pobre, isolada entre o rio Tigre e as montanhas do norte da Mesopotâmia. A principal cidade dessa região era Assur, cujo nome era uma homenagem ao principal deus assírio.

Depois da queda dos babilônios, que praticamente haviam escravizado os assírios, a Assíria passou para o domínio do reino Mitani (dos hunitas, povo que veio da Ásia central). Mas logo obteve apoio dos egípcios para rebelar-se contra a dominação mitánica e construir uma nação autônoma.

Os assírios acabaram passando para a história com a fama de guerreiros sanguinários, cujo nome em suficiente para incutir terror às populações. Sua força militar era extraordinária: empregavam carros de guerra, cavalaria e, a partir de 1200 a.C., armas de ferro.

Como os babilônios, também os assírios conheceram o esplendor e a decadência. Tiveram o primeiro período de glória entre 1800 e 1300 a.C, quando se formou o primeiro reino assírio; o segundo começou depois do declínio da Babilônia de Hamurabi.

O terceiro período de glória começou em 750 a.C., quando todo o mundo civilizado ficou sob domínio assírio. A cultura assíria fundiu-se nesse período com a civilização mesopotâmica.

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Idade dos Metais – O que é, história e Descoberta

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O primeiro metalúrgico involuntário provavelmente terá sido um oleiro curioso. Um dia, por acaso, no fogo onde ele cozia vasos de argila, caíram algumas pedras verde-azuladas. Enquanto o fogo ardia, o oleiro percebeu que as pedras mudavam de cor, ficavam avermelhadas e diminuíam de volume.

Quando o fogo apagou e as cinzas começaram a esfriar, o oleiro viu, com assombro, que aquelas estranhas pedras haviam se transformado em uma pasta vermelha incandescente, que formava uma poça e endurecia à medida que esfriava.

Quando o oleiro pôde tocá-la constatou que era mais dura que a madeira e a pedra. O oleiro conseguira, casualmente, a primeira fundição (fusão) de cobre da história da metalurgia, assim nascia a idade dos metais.

Início da idade dos metais

Os minérios de cobre foram os primeiros a serem usados na idade dos metais. O cobre é duro e resistente, mas sua característica principal é a maleabilidade.

Com um martelo podia-se modelá-lo na forma que se quisesse: em ponta, em curva, em ângulo e até sob a forma de recipiente.

O cobre, ainda líquido, era despejado em fôrmas escavadas em pedras lisas ou feitas a mão com argila e areia; obtinham-se assim lâminas de punhal, pontas de lança, foices e outros utensílios.

Comparados aos instrumentos de pedra, os de cobre apresentavam vantagens: uma lâmina metálica que tivesse perdido o fio podia ser amolada num piscar de olhos, apenas friccionando-a com uma pedra; um utensílio quebrado podia ser consertado através de solda. Na pior hipótese, os pedaços podiam ser fundidos novamente.

Foram os metais mais utilizados no início da idade dos metais.

Os primeiros metais

O cobre, por suas vantagens, logo se revelou um material muito útil, mas apresentava um problema: era pouco duro. Por meio de experiências, os artífices metalúrgicos procuraram eliminar esse defeito, mas foram necessárias muitas tentativas para que se chegasse a resultados satisfatórios.

Os metalúrgicos passaram então a misturar outros minérios ao cobre, durante a fusão. Eram pedras que continham chumbo, antimônio e estanho. Da mistura de cobre e estanho originou-se uma liga metálica mais dura que o cobre: o bronze.

Para se determinar as proporções exatas dos dois metais que originavam uma liga de consistência ideal, foram necessários muitos anos de experiências e tentativas. Finalmente, a proporção foi fixada na mistura “clássica” de 10 partes de estanho e 90 de cobre.

Começava ali, uma evolução na idade dos metais.

Surgimento do ferro

Havia, porém, um metal realmente “difícil”, um verdadeiro quebra-cabeça para os fundidores e metalurgistas. Esse metal era o ferro. Se o minério de cobre é bastante difundido na crosta terrestre, o de ferro é quinhentas vezes mais abundante.

Estaria para ser descoberto algo que mudaria a idade dos metais!

E provável que os metalúrgicos primitivos tenham lançado nos seus fornos alguns dos minérios de ferro (magnetita, hematita, limonita, siderita). Mas eles logo perceberam que esse metal não se fundia. Em vez de derreter.

O ferro se transformava em uma massa negra, esponjosa. Hoje sabemos que o ferro não funde com facilidade, pois seu ponto de fusão (a temperatura na qual o metal se toma líquido) é muito elevado (mais de 1 500 Cº), impossível de ser alcançado nos fomos primitivos.

Entretanto, os infatigáveis experimentadores das antigas fundições descobriram que aquela massa esponjosa podia ser trabalhada com o martelo.

A golpes repetidos, o ferreiro conseguia eliminar grande parte da escória (resíduos da fusão) e das impurezas e obtinha uma barra de ferro doce (macio), um metal cinza e pesado.

Contudo, transformado em lâmina, após duro trabalho de aquecimento e martelamento, esse metal não revelava nenhuma propriedade que o tornasse superior ao bronze. Ao contrário, ficava mais mole e perdia o fio com facilidade. Parecia ser, portanto, um metal inútil.

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Ferro e sua utilidade

Com o tempo, o processo de trabalhar o ferro tomou-se de domínio público. Há 3 000 anos a siderurgia (do grego sideron, que significa feno) já estava espalhada pelas regiões ao redor do mar Mediterrâneo, e 500 anos depois difundiuse por toda a Europa.

Simultaneamente, ocorreram outros progressos técnicos. Os metalúrgicos que trabalhavam no vale do rio Indo (atual índia) haviam aperfeiçoado a técnica de construção dos fomos, chegando a produzir temperaturas suficientemente altas para provocar a fusão do feno.

Esse metal, embora obtido por fusão, era sempre forjado e temperado a martelo. Calculando-se de maneira adequada a quantidade de carvão a ser usada, o sistema de têmpera, a velocidade de aquecimento e de resfriamento, podia-se fazer variar a qualidade do feno, de acordo com os fins a que era destinado.

Finalmente, a razoável abundância dos minérios de ferro favoreceu o surgimento de complexos siderúrgicos de grandes dimensões.

O ferro tornou-se um metal econômico, muito empregado também na fabricação de objetos e instrumentos de uso diário.

Em resumo, um metal “popular” tomava o lugar do bronze, oferecendo uma decisiva contribuição para o desenvolvimento de todas as atividades humanas e para a transformação da qualidade de vida, essa foi a idade dos metais.

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Agricultura – Surgimento e História

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Na época da colheita, algumas colinas baixas da Mesopotâmia apresentavam a cor dourada do trigo maduro. O trabalho, que solicitava homens e mulheres, desenvolvia-se no ritmo alegre e solene das cerimônias religiosas.

Graças à Grande Mãe Terra, o trigo semeado, após meses de espera, oferecia ao vilarejo alimento suficiente para um novo ano.

A comunidade celebrava o “milagre”, que se repetia ano após ano, como uma dádiva da grande deusa. Mas a causa real do “milagre” era, de fato, uma descoberta feita pelas mulheres: as plantas nascem das sementes. Assim teve início a Agricultura, cerca de 6 000 anos atrás, uma prática que modificou a face do planeta Terra.

A Revolução das Mulheres na Agricultura

Entre as tribos de caçadores, são as mulheres e crianças que saem pelos bosques e campos à procura de vegetais comestíveis. Os homens dedicam-se exclusivamente à caça.

Nas vastas pradarias do Oriente Médio, a caça preferida eram cavalos, búfalos, bois ou gnus, que migravam lentamente para seus pastos de verão e de inverno.

As tribos, que dependiam em tudo das manadas, migravam junto com elas e montavam seus acampamentos de inverno e verão, aos quais voltavam anualmente.

Entre os vegetais comestíveis coletados, havia minúsculas espigas de gramas selvagens, com sementinhas duras que as mulheres trituravam entre pedras para produzir farinha, com a qual coziam os primeiros pães que o homem comeu.

Indo e voltando dos acampamentos de inverno e verão, as mulheres devem ter notado que perto de suas moendas cresciam novas gramas com espigas.

E algumas por certo deduziram que das sementes caídas no chão nasciam novas plantas. Muitas devem ter feito a experiência: colocadas as sementes na terra, no verão seguinte lá estavam as espigas carregadas.

Assim se expandiram as primeiras roças, selecionaram-se as melhores sementes e, ano após ano, século após século, as mulheres prosseguiram desenvolvendo as técnicas de plantio, ensinando-as às filhas.

Por fim, os acampamentos de caçadores dispunham de roças permanentes de trigo, cevada e centeio – plantas laboriosamente selecionadas a partir de gramas selvagens.

Quase na mesma época em que isso acontecia na Mesopotâmia, as tribos chinesas que vagueavam pelas margens do rio Amarelo desenvolviam a cultura do arroz e, pouco depois, as índias americanas iniciariam o cultivo do milho no Novo Mundo.

Plantações

O plantio de cereais produz uma abundância de alimento tão superior à caça que em poucos milhares de anos a agricultura mudou a história da nossa espécie.

Uma mudança ainda mais profunda do que aquela causada pela descoberta e aproveitamento do fogo. Inúmeras tribos abandonaram definitivamente a caça para se tomarem sedentárias (fixas) e dedicarem-se exclusivamente às atividades agrícolas. Acabou-se a contínua peregrinação em busca da presa.

O amanhã já não é tão incerto. Progressivamente, essas tribos unidas em torno de um trabalho comum, partilhando da mesma língua, fixadas no mesmo território pelas roças, habitando em vilas permanentes de cabanas solidamente construídas, com os mesmos costumes e tradições organizam-se politicamente e constituem-se em povos e nações.

Iniciava-se, assim, com a agricultura, a formação das primeiras grandes civilizações da Antiguidade, que só se tornaram possíveis por causa da enorme quantidade de alimento que o cultivo da terra permitia produzir.

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Lobo, O primeiro animal doméstico

Ainda hoje, as tribos de caçadores abatem qualquer carnívoro grande que aparecer pelas redondezas. Leões, lobos e tigres, além de concorrentes, são perigosos.

Entretanto, há mais ou menos 100 000 anos atrás, bem antes do início da agricultura, os homens notaram que os filhotes de lobo cresciam razoavelmente inofensivos quando criados e alimentados desde cedo pela mão do homem.

A ideia de treiná-los para a caça deve ter nascido durante os momentos de descanso, quando se notava que era possível ensinar-lhes pequenos truques.

Com afagos e oferta de alguma recompensa em alimento, os filhotes de lobo puderam aprender a se tornar os primeiros lobos de caça, dos quais – depois de inúmeras gerações – evoluíram várias raças domésticas de um novo animal selecionado pelos humanos: o cão, nosso mais velho companheiro, aliado e amigo.

Por milhares de anos este foi o único animal doméstico que acompanhou o homem em sua vida diária. O treinamento de gatos selvagens jamais deu bons resultados, se bem que os egípcios tivessem chegado a empregá-los como ajudantes para a caça miúda.

Argila na Agricultura

O número crescente de pessoas envolvidas no trabalho agrícola ou na custódia do rebanho da tribo indicava que a comunidade já podia permitir-se um “luxo” antes muito raro: o de alimentar e manter trabalhadores empenhados em outra atividades como a fabricação de instrumentos de trabalho, utensílios domésticos e tecidos, e o beneficiamento de couros e peles.

E quando um grande número de pessoas hábeis e qualificadas se dedica a um trabalho determinado, a conseqüência natural é o progresso técnico dessa atividade.

Foi assim que se descobriram novos procedimentos e se concretizaram importantes invenções. O tradicional artesanato em pedra, osso e madeira aperfeiçoou-se.

Paralelamente, desenvolveu-se a produção de fios e tecidos de lã e de fibras vegetais, como o linho e o cânhamo. O setor mais rico em inovações foi, porém, o da cerâmica, a arte de fabricar vasilhames de argila.

Os caçadores primitivos e os primeiros agricultores já modelavam à mão rudimentares recipientes de barro, secos e endurecidos ao sol. Depois, passaram a usar o calor do fogo que endurecia melhor a argila, transformando-a num material duro e compacto, que a água já não conseguia desfazer, nem o fogo quebrar.

Essa descoberta foi muito importante, pois o homem percebeu que era possível modificar as características de um produto natural para torná-lo mais eficiente. Já não vaso de argila com decoração geométrica se tratava simplesmente de utilizar um elemento da natureza, mas de transformá-lo para obter maiores benefícios.

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Período Paleolítico – Idade da Pedra Lascada

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Até a descoberta dos metais, e por cerca de meio milhão de anos, a matéria-prima fundamental dos homens primitivos foi a pedra, assim sendo o Período Paleolítico.

As qualidades “industriais” da pedra são notáveis: várias rochas – se forem escolhidas no tamanho adequado e batidas de forma correta – podem ser transformadas em ótimas lascas afiadas e cortantes.

A técnica das pedras lascadas, descoberta pelos homens pré-históricos, evoluiu por mais de um milhão de anos, passando da produção de pedras lascadas grosseiramente para as mais finamente lascadas, até chegar aos instrumentos de pedra polida.

Evolução na Idade da pedra lascada (período Paleolítico)

Ao longo do tempo, nossos longínquos antepassados foram confeccionando utensílios cada vez mais eficientes e complexos. Abaixo, um resumo das conquistas mais significativas do progresso tecnológico do período paleolítico (Idade da pedra). 700 000 anos atrás.

O homem da Pré História passou a lascar pedras, criando as primeiras ferramentas capazes de satisfazer as exigências colocadas pela vida cotidiana. 300 000 anos atrás.

O homem do período paleolítico desenvolveu um machado de pedra pontiagudo de um lado, arredondado do outro e afiado nas bordas, foi, por mais de 100 000 anos, um dos utensílios mais empregados e difundidos entre os grupos humanos da África, India e Europa. 100-50 000 anos atrás .

O Homem de Neanderthal, espalhado pela Europa, África e Asia, fabricava ferramentas especializadas. Em substituição ao machado com múltiplas utilidades, criou divertes necessidades: pontas triangulares agudas que se amarravam a uma das extremidades dos dardos; buris finos e aguçados para gravar e furar madeira, osso, marfim e peles; raspadeiras afiadas para descascar e polir.

Outros utensílios além da pedra

A pedra não foi a única matéria-prima explorada pela indústria dos homens da chamada Idade da Pedra (período paleolítico). Outros recursos do ambiente em que viviam também eram aproveitados de maneira inteligente.

O reino mineral fornecia ainda a argila crua e o barro, que serviam para recobrir as paredes das cabanas. A estrutura interna dessas paredes era feita de galhos entrelaçados e de varas. Esse tipo de construção, denominada taipa ou pau-a-pique, continua sendo muito utilizado até hoje em diversas regiões do Brasil.

O reino vegetal fornecia ainda a madeira, sem dúvida o material de uso mais freqüente na vida diária. Das árvores extraíam-se também fibras para torcer ou trançar cordas; do vime e das folhas de bambu faziam-se cestos e esteiras.

As cascas também podiam se transformar em revestimentos para canoas ou eram usadas na indumentária.

Para o caçador pré-histórico os animais significavam uma fonte de alimentação e de matéria-prima: com os ossos, chifres e dentes confeccionavam-se diversos tipos de objeto; os tendões eram flexíveis e resistentes o bastante para se transformarem em cordas para o arco; a gordura alimentava as lamparinas e preservava o couro.

Arte

No “grande clã”, formado pelo conjunto dos dás irmãos, nem todos são caçadores e artífices que preparam as ferramentas e armas.

Há também outras funções indispensáveis à sobrevivência do grupo, como a de “artista”, ou seja, aquele que aprendeu a reproduzir as imagens dos animais de caça nas paredes das cavernas.

O grupo supõe que ele tenha poderes sobrenaturais, pois consegue transformar a pedra, gravando nela a imagem viva de um veado em movimento, de um bisão assustado ou de uma manada de bois selvagens ou renas.

Certamente a preocupação do “artista” não é decorativa, isto é, embelezar o interior das cavernas, pois as suas pinturas costumam ser executadas nas paredes mais escondidas das galerias.

Crenças

Eram em suas cavernas que se realizam ritos mágicos, cerimônias que levam o homem a crer que a caçada será bem-sucedida.

Quem conhece os segredos mágicos é um outro personagem importantíssimo: o feiticeiro, que faz o papel de intermediário entre o homem e as divindades.

Durante a cerimônia, com as vestes sagradas de um animal mítico, ele incorpora a divindade e investe-se de poderes mágicos que irão propiciar uma boa caçada. Após a dança ritual, os caçadores colocam suas mãos sobre os animais pintados nas rochas e, simbolicamente,. os transpassam com suas armas.

O gesto pressagia boa sorte e o homem sente como se a presa realmente tivesse sido capturada. Os caçadores acreditam nos poderes dos sacerdotes-feiticeiros, pois estes parecem conhecer o segredo das poderosas forças que regulam a vida e a morte dos homens e dos animais.

Na realidade, é apenas a excitação da cerimônia e a sua crença que provocam nos caçadores a sensação de força capaz de levá-los a enfrentar os perigos de uma caçada e abater muitas presas.

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Feudalismo: Sociedade, Origem, Economia e Politica

feudalismo

Carlos Magno, coroado imperador em 800, morreu em 814. O último imperador da dinastia carolíngia foi Carlos, o Gordo, deposto em 887. Durante esse período, o feudalismo foi adquirindo a sua forma, e uma grande parte da Europa passou a se constituir de incontáveis feudos, dos quais os maiores dariam origem aos Estados nacionais modernos.

O que era o Feudalismo

O feudo era composto pelo território que o vassalo obtinha do soberano. O feudatário administrava, mas não era proprietário.

Em outras palavras, ele apenas detinha o usufruto do feudo: o seu direito restringia-se ao uso dos frutos daquele território, isto é, os produtos da terra e os bens oriundos de impostos e de serviços de seus subordinados.

O proprietário continuava sendo o longínquo soberano, que retomava o feudo quando da morte do feudatário.
Na prática, porém, o filho do falecido feudatário renovava o juramento de fidelidade ao rei e prosseguia a administração do pai.

Como Funcionava

O feudo era praticamente hereditário. Na verdade, o rei, nessas condições, quase não tinha controle sobre os feudos.

Desde que o feudatário não rompesse a fidelidade ao rei, poderia governar o feudo como se este fosse seu “reino” e ele mesmo, um “rei”.

Sendo uma espécie de rei no seu feudo, o feudatário podia selar acordos de fidelidade e auxilio recíprocos com outras pessoas menos poderosas do que ele. ‘0 feudatário, de fato, também precisava de auxílio para administrar o seu feudo, e isto o levava a recrutar seus “homens” por meio de uma cerimônia de homenagem com características idênticas àquela à qual ele havia se submetido.

Nesse caso, o feudatário, que era um vassalo do rei, tornava-se, por sua vez, senhor de outros vassalos. Esses “vassalos do vassalo”, recebiam, em troca tia sua fidelidade, parte do feudo do seu senhor a título de benefícios: um castelo, uma fortaleza vizinha a uma vila de agricultores, campos cultivados, ou até mesmo uma simples estrada sobre as quais podiam cobrar taxas e tributos.

A complexa hierarquia do sistema de vassalagem, no entanto, não se esgotava nesse ponto: .os “vassalos do vassalo” podiam também ter seus vassalos, a quem exigiam fidelidade em troca de benefícios e imunidades. Assim cada nobre era senhor ou vassalo de outro.

A sociedade feudal estava assim rigidamente organizada por uma extensa e intrincada rede de relações pessoais de dependência, baseadas em compromissos mútuos, onde’ cada’ indivíduo ocupava uma posição fixa.

Cada um estava na dependência do seu senhor – até mesmo o rei: este era considerado vassalo de Deus, de quem teria recebido o reino e a autoridade em troca da fé.

Sociedade dentro do Feudalismo

Grandes feudatários, vassalos do vassalo ou modestos vassalos destes compunham a camada dominante na sociedade feudal e pertenciam invariavelmente ou à nobreza ou ao clero.

Os nobres eram poderosos porque sabiam manejar a es da e a lança; os membros do clero, porque detinham os segredos da palavra divina.

Uns mais, outros menos, todos eles possuíam alguma parcela do poder e da autoridade. Abaixo deles havia às camadas dominadas, formadas por pessoas pobres e sem nenhum poder, e que também viviam na estreita dependência do seu senhor.

Mas mesmo entre os membros dessas camadas baixas, havia ,uma certa hierarquia. Os homens livres eram os mais privilegiados.

Os artesãos, por exemplo, que produziam artigos de feno, couro, madeira, lã etc., eram protegidos pelos senhores, que lhes davam casa e oficina. Em troca, os artesãos deviam fornecer anualmente ao senhor uma determinada quantidade de seus produtos.

Livres eram ainda os colonos, isto é, os agricultores que cultivavam as terras a eles destinadas pelo senhor, em troca da proteção.

A obediência ao senhor traduzia-se também em uma série de obrigações: deviam entregar parte da produção da terra ao senhor; pagavam taxas que rebaíam, por exemplo, sobre o uso do forno, da ponte etc.; e deviam executar alguns trabalhos gratuitos (consertos de estradas, construção de muralhas etc.), denominados corveias.

Em caso de guerra, além de serem obrigados a assistir seu senhor, os vassalos deveriam resgatá-lo se ele caísse prisioneiro em luta.

Na realidade, numa sociedade inteiramente marcada por obrigações mútuas, era muito difícil determinar quem era livre, mesmo porque as palavras que designavam as categorias sociais variavam muito conforme a época e o lugar. Além disso, os colonos, com o passar do tempo, acabaram se confundindo com os membros da camada mais baixa da sociedade feudal: os servos.

Servos e os Senhores Feudais

As obrigações que ligavam o servo ao senhor não eram muito diferentes das do colono: parte da sua produção agrícola era destinada ao senhor; devia pagar taxas para a utilização de fornos, moinhos e tonéis; realizava trabalhos gratuitos (as corveias); pagava impostos por pessoa; e ainda devia cultivar as terras que o senhor reservava para si.

Se não era escravo, a palavra “servo” na origem significava “escravo”. Era tido como “coisa do senhor”, o qual dispunha do seu corpo, do seu trabalho e de seus bens.

Suas obrigações não provinham de um juramento, mas da sua condição: servo era servo de pai para filho. Em suma, os servos estavam presos à gleba (a terra) e ao seu senhor, a quem alimentavam com o suor do seu trabalho. Eram, portanto, os verdadeiros sustentáculos do feudalismo.

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Carlos Magno – Quem foi? Feitos e História

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A crônica da coroação de Carlos Magno foi registrada nos Anais Reais dos Francos (Annali Reali Franchi) por um monge que assistiu pessoalmente ao acontecimento.

O próprio Leão III declarara que Carlos fora ”coroado por Deus”. A aliança entre a mais importante potência política -o Reino dos Francos – e a máxima potência espiritual – a Igreja – prometia um futuro de paz e progresso para toda a Europa.

Quem foi Carlos Magno

Carlos Magno era um homem bastante alto, robusto e vigoroso. Segundo os cronistas, impunha respeito aos inimigos não apenas pela inteligência tática, como também pela imponência física. Foi um homem de guerra, embora desejasse ser um homem de paz.

Combateu nos quatro cantos da Europa, mostrando-se particularmente severo com os bárbaros germânicos, que submeteu definitivamente.

Era, porém, um homem muito religioso e estava convencido de que o próprio Deus ordenara aos francos, e portanto a si próprio, a tarefa de propagar e defender a fé cristã.

Capaz de ver mais longe do que seus contemporâneos, lutou a vida inteira por um objetivo: estabelecer a paz numa Europa cristã e civilizada. Por isso foi chamado de Pater Europae – o “Pai da Europa”.

Feitos

Carlos tivera que enfrentar e submeter os principados rebeldes da Saxônia, que representavam uma ameaça junto às fronteiras da Austrásia (veja o mapa desta página).

Após as primeiras vitórias dos francos, parte da nobreza saxônica aceitou converter-se ao cristianismo, incorporando-se ao Reino Carolíngio. Mas, em 779. um grupo de camponeses, liderados pelo príncipe Widukind, opôs forte resistência às pretensões do monarca franco.

Sucederam-se diversas campanhas militares, marcadas pela violência dos choques e pela crueldade com que as sublevações foram debeladas.

Só em 782, cerca de 4 500 rebeldes foram entregues à nobreza saxônica cristianizada, para serem massacrados. Após esse incidente, chamado de Jornada de Verden, registrou-se uma nova revolta (783-785). Em 785, Carlos conseguiu vencer a resistência de Widukind, obrigando-o a aceitar a capitulação e o batismo.

Esse fato, porém, não fez cessar as rebeliões. Entre os anos de 792 e 799, os camponeses voltaram a sublevar-se, contra a cobrança do dizimo, uma espécie de taxa eclesiástica aplicada às populações cristianizadas.

Carlos Magno impôs então à Saxônia um estado de sitio permanente e, para obsequiar o clero, promoveu a transferência maciça de saxões para o Reino Franco, doando à Igreja as terras que iam sendo desocupadas.

A saxônia é Submetida

Os saxões só se submeteram definitivamente a Carlos Magno em 804, graças à Lei Sanonum (Lei Saxônica), implantada em 802, que efetuou a fusão do código franco (Lei Repuaria) com o velho direito popular saxõnico. Essa lei passou a regular a vida dos novos súditos de Carlos Magno.

Nos anos sucessivos guerreiros francos foram nomeados para exercer a administração e controlar politicamente a população submetida, tendo sido auxiliados nessa tarefa por uma legião de padres, monges, missionários e bispos. que catequizaram a região.

A Organização do Império

As instituições do Império Carolíngio permaneceram essencialmente as mesmas do Reino dos Francos. Carlos Magno continuou a tradição merovíngia do poder absoluto, inspirada no Império Romano.

O palácio real era, ao mesmo tempo, residência do soberano e sede da corte e da administração, embora não houvesse propriamente uma capital do império: pode-se mesmo dizer que o governo de Carlos Magno era itinerante, pois durante anos ele se deslocou de um lado para o outro levando consigo, além da numerosa família, toda a sua corte (conselheiros, dignitários, servos e milícias imperiais).

Só nos últimos anos de seu reinado, Carlos Magno demonstrou preferência por Aquisgrana (Aix-la-Chapelle), pois as águas termais da cidade aliviavam sua gota e seu reumatismo.

As Guerras

A guerra, na época de Carlos Magno, era um fenômeno corriqueiro. Combatia-se praticamente todos os anos, entre maio e outubro, no período mais quente.

As tropas, totalmente equipadas e conduzidas pelo seu comandante (o conde ou marquês), compareciam anualmente ao Campo de Maio para serem submetidas à revista pelo imperador.

Simultaneamente, o Campo de Maio era também uma assembléia dos chefes militares, na qual se decidiam as próximas operações de guerra.

A herança de Carlos Magno

Com a morte de Carlos Magno, em 814, Luís, o Piedoso – seu único filho vivo -, herdou todos os poderes imperiais. Mais conhecido por sua religiosidade do que por suas qualidades de governante, Luís dividiu o império entre seus filhos Lotário, Pepino, Luís e Carlos.

Ao morrer, em 840, as agudas rivalidades entre os irmãos explodiram numa guerra generalizada. Em 843, os quatro herdeiros firmaram o Tratado de Verdum, que pôs fim ao conflito, dividindo o antigo império carolíngio em unidades independentes: o Reino Franco do Oeste, o Reino Franco do Leste e um Estado intermediário, que se estendia do mar do Norte ao sul da Itália.

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Vikings: Quem Foram? Normandos, História e Origem

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No início de sua escalada, os normandos não se denominavam assim. Quem lhes atribuiu esse nome, que significa homens do norte, foram as populações da Europa que viviam ao sul da Escandinávia. Esse povo também era chamado de vikings.

Os Vikings

O nome viking, pelo qual muitos historiadores designam os normandos, é de origem incerta. Segundo alguns, deriva do antigo vocábulo islandês vik, que quer dizer baía ou enseada, provavelmente numa referência aos profundos fiordes escandinavos, onde se localizavam as bases de partida desse povo. Para outros, deriva do anglo-saxão vie, que significa acampamento militar.

Há quem afirme, ainda, que viking, em certos grupos normandos, designava o chefe encarregado das expedições militares. Era uma função semelhante ao romano dia (aquele que conduz) que, na Idade Média, originou a expressão duque.

Qualquer que fosse o nome — viking, normando ou varego -, era sempre sinônimo de morte e violência. “Do furor dos normandos, livrai-nos, Senhor” – suplicavam os povos da França. Itália e Espanha, lá pelos idos do ano 1000.

Intrépidos guerreiros, hábeis navegadores, os normandos, antes de se converterem ao cristianismo, o que aconteceu a partir do século X, faziam da própria bravura a sua fé.

Veneravam deuses da mitologia germânica como Woden ou Wotan (0dm), o deus supremo; Thor, deus dos trovões, sempre acompanhado de seu invencível martelo de pedra.

Um poema viking, A Balada do Excelso, diz que “o dia deve ser louvado antes do amanhecer, e a espada, depois de usada”. Isso dá a medida da importância da guerra para esse povo.

A expansão dos Vikings

Os vikings descendiam de povos nômades, principalmente lapões, que, por volta de 3000 a.C., se fixaram na região onde atualmente se localizam a Suécia, a Noruega e a Finlândia.

Vivendo da agricultura e da pesca, desenvolveram também, ao longo do tempo, pequenas oficinas artesanais e tornaram-se peritos construtores de embarcações.

Sua sociedade estava organizada em dás (agrupamentos de famílias). Um chefe ou rei liderava o clã, sobretudo em períodos de guerra. As decisões mais importantes, porém, eram tomadas pela thing – assembléia dos homens livres. Abaixo do soberano estavam os karl, ricos agricultores que eram também os chefes militares do exército viking.

A seguir, vinham os jarl, pequenos agricultores. O último patamar da escala social era ocupado pelos thrall – os escravos -, prisioneiros de guerra e antigos homens livres reduzidos à servidão por não terem conseguido pagar suas dívidas. Sobre os thratl. o proprietário tinha poder de vida e de morte.

O terror da Europa

Até que surgisse na Europa ocidental uma defesa efetiva, representada pelo exército de Carlos Magno, os vikings infligiram ao continente sérias devastações.

Entretanto, quando a proteção das fronteiras do Império Carolingio foi negligenciada e até mesmo abandonada pelos sucessores de Carlos Magno, mais interessados em combater-se uns aos outros pela posse de territórios, os normandos tomaram-se o terror da Europa setentrional.

Por volta de 830, invadiram o litoral da Holanda, da Inglaterra e da Irlanda, onde chegaram a se estabelecer. A seguir desceram pelas costas da península Ibérica e penetraram no mar Mediterrâneo.

Entre 859 e 862 realizaram expedições de pilhagem nas ilhas Baleares (Espanha), na Provença (França) e na região da Toscana (Itália).

Partindo da Suécia, outro grupo invadiu a Europa oriental, estabelecendo-se no coração da Rússia. Da Noruega atingiram a Islândia e de lá provavelmente chegaram à América do Norte por volta L do ano 1000.

Os Vikings e o comércio medieval

As redes de comércio abertas a partir do século VIII pelos judeus e frisões, na Europa oriental, foram substituídas no século X pelas dos normandos. Os vikings dominavam as vias comerciais russas, o tráfego pelo rio Dnieper até Bizâncio, e o do rio Volga até o mundo árabe.

O comércio com os árabes foi o mais importante: os vikings vendiam peles, escravos, jóias e metais preciosos. Essa atividade mercantil manteve-se ativa até cerca de 1050.

Colonização da Rússia

A partir do século IX, os varegues, vikings da Suécia, começaram a estabelecer entrepostos comerciais e a colonizar a região noroeste da Rússia, habitada por tribos eslavas. Após uma breve resistência, estas acabaram se submetendo aos invasores.

Em 860, o chefe escandinavo Rurik fundou Novgorod. Descendo os rios da Rússia, os vikings chegaram ao mar Negro e, entre 860 e 861, assediaram Constantinopla.

Em 882, o sucessor de Rurik, OIeg, o Sábio, estabeleceu a capital varegue em Kiev, embrião do futuro Estado msso – resultado da fusão de eslavos e vikings.

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Lombardos: Reino, História, Economia, Religião e Crenças

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Os lombardos eram um povo germânico, nômade, que no primeiro século da era cristã havia se fixado na região da Panônia (atual Hungria).

Os Lombardos

No período de 535 a 554, cerca de 5 000 lombardos lutaram como mercenários no exército bizantino, comandado por Narses, na longa guerra contra os ostrogodos na península Itálica.

Um pouco antes de a guerra acabar, Narses repatriou-os, tomando o cuidado de fazê-los acompanhar de uma escolta, para evitar que cometessem violências no caminho. Mas a permanência dos ferozes combatentes lombardos na Panônia não durou muito.

Conforme a tradição, no dia 2 de abril de 568, Alboim, orei lombardo, reuniu todo o seu povo e se pôs em marcha, pela via Poitumia, estrada construída pelos romanos, em direção à Itália. A conquista foi uma empresa relativamente fácil. Atravessando o rio Isonzo, atingiram a planície do Vêneto sem encontrar muita resistência.

As tropas bizantinas que deviam defender a Itália eram escassas, e os invasores eliminaram-nas facilmente. Após ocupar a cidade de Fórum luli (Friuli), tomaram Treviso, Vicenza, Bréscia, Verona e Milão. Depois cortaram o acesso à cidade de Pavia, às margens do rio Ticino.

O passo seguinte foi a tomada de Pavia e sua escolha para capital do Reino Lombardo. Nesse meio tempo, grupos de guerreiros conquistaram Tremo, o norte da Toscana, a Umbria, Spoleto e Benevento.

Por onde os lombardos passaram foi uma devastação. Rudes e violentos, desprezavam tanto os homens letrados quanto os camponeses. Sua primeira medida ao tomar um povoado era eliminar a classe dirigente: magistrados, administradores, oficiais do exército.

O resto da população era submetido à servidão ou à escravidão. Seu número era irrisório, comparado ao dos vencidos (200 000 ou 300 000 pessoas na época da invasão). Sendo minoria, impuseram-se pela força.

Os senhores

Como a maior parte dos povos bárbaros, os lombardos desconheciam o conceito de Estado. Viviam em tribos compostas por diversas famílias, guiadas por um valoroso chefe guerreiro.

No inicio da invasão, as tribos conservaram os antigos hábitos lombardos: vagavam de um lugar para outro pilhando e semeando o terror entre as populações nativas. Aos poucos, muitas dessas tribos (fure) estabeleceram-se definitivamente em certas regiões.

E a partir desse momento os chefes das fare passaram a atribuir-se o pomposo titulo romano de dux (duque, ou aquele que conduz). Assim, os diversos domínios lombardos denominaram-se ducados. Orgulhosos da sua independência, os duques não toleravam o poder centralizado em um soberano.

Somente em casos de emergência – guerra ou grandes migrações – é que os chefes escolhiam um rei, a quem conferiam plenos poderes. Alboim, por exemplo, que guiara seu povo na conquista da Itália, havia sido escolhido desse modo.

As bases do Estado lombardo começaram a ser assentadas em 584. Nessa época, instalou-se na cidade de Pavia o governo central do reino, composto pelos gasindi, funcionários que ocupavam os cargos de maior responsabilidade política, militar e administrativa; e pelos gastaldi (ou castaldi’), encarregados basicamente de zelar pelos interesses e bens reais. Essa elite foi recrutada entre os chefes de tribos.

 

A lei do mais afortunado

Os lombardos não possuíam leis próprias nem empregavam as leis romanas ou bizantinas. A justiça era aplicada conforme a rude tradição do povo.

Cada indivíduo vingava pessoalmente a ofensa. Era a faida, ou a lei da vingança. Nas disputas entre duas pessoas, recorria-se ao duelo ou ao ordálio, o “juízo de Deus”, uma prática que inocentava o mais resistente, o mais ágil ou o mais afortunado.

Assim, por exemplo, o acusado deveria caminhar sobre brasas, ou segurar com as mãos nuas um ferro incandescente; se resistisse significava que Deus estava com ele. Essa tradição manteve-se até o reinado de Rotari, quando o monarca promulgou o Edictus Rothari.

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A Expansão Lombarda

Mas o grande momento da conquista ocorreu sob Liutprando (712-744), que se aproveitou das investidas árabes contra o império do Oriente e das controvérsias deste com o papado.

Por volta de 720 o papa Gregório II excomungou o imperador bizantino Leão 111, o lsáurico, por este ter proibido o culto às imagens religiosas.

A conseqüência foi o rompimento entre Roma e Bizâncio. Liutprando, que tornara o catolicismo a religião oficial do seu reino, arvorado em defensor da doutrina católica, invadiu o exarcado de Ravena e o ducado de Roma (que, por direito, pertencia ao Império do Oriente).

O papa Gregório II, duvidando de sua fidelidade, mostrou-se mais temeroso diante dos lombardos que do domínio do já decadente Império Bizantino. Assim, tratou de sustar a vitoriosa campanha de Liutprando, convencendo-o a afastar-se de Roma.

Como prova de sua boa fé, o rei lombardo doou ao pontífice os castelos fortificados de Sutri e Bieda, que constituíram o primeiro núcleo do futuro Estado Pontifício.

Gregório II afastara o perigo, mas seus sucessores tiveram que conviver com a ameaça da invasão lombarda, pelo norte e pelo sul.

Liutprando conseguira submeter à sua autoridade os ducados de apoleto e Benevento, até então independentes. Seu reino marcou o apogeu dos lombardos na Itália. Para a Igreja era urgente uma aliança com um rei militarmente forte, pronto a correr em defesa de Roma.

Os Francos contra os Lombardos

O problema entre o papado e os lombardos se agravaria durante o período de Gregório lii (731-741), com a submissão das Igrejas do sul da Itália, Sicília e Sardenha à Igreja de Bizâncio.

Esse fato serviu de pretexto para que Liutprando retornasse a Roma e ocupasse o Castelo de Orle (739). Diante disso, e definitivamente privado do apoio bizantino, o papa recorreu aos francos, solicitando a intervenção de Carlos Manel.

Este, contudo, necessitando dos lombardos para deter o avanço dos árabes no sudoeste da França, não atendeu ao chamado.

O fim dos lombardos

Após a morte de Pepino, o Breve (768), seus filhos Carlos e Carlomano entraram em disputa pela divisão do reino. Esse conflito levaria a rainha-mãe, Berta, a assinar um acordo de paz com Desidério da Toscana, sucessor de Astolfo e último rei lombardo.

Este, porém, quis se aproveitar do acordo para isolar o papa e apoderar-se dos territórios da Santa Sé. Com esse propósito, casou sua filha Ermengarda com Carlos, embora o papa Estêvão III tivesse procurado impedir a união. A aliança franco-lombarda, porém, não durou muito.

Com a morte de seu irmão Carlomano, em 771, Carlos passou a governar sozinho o Reino Franco, repudiando a filha de Desidério.

O único vínculo que ainda o ligava à corte lombarda estava rompido e, assim, o novo papa, Adriano 1, pôde contar com os francos.

Em 773, eles atravessaram os Alpes para forçar Desidério a devolver à Santa Sé os territórios que ocupara. As forças lombardas foram derrotadas, e Desidério, obrigado a abdicar (774); seu reino foi anexado ao dos francos.

Com a conquista do Reino Lombardo, Carlos – que cingiu a “coroa de ferro”, símbolo da realeza desse povo – ficou conhecido como Carlos Magno.

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