Francos- Religião, Crenças, Economia e Quem Foram

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Os francos são mencionados pela primeira vez na História no ano de 235 da era cristã, quando foram fragorosamente derrotados pelos romanos chefiados pelo imperador Aureliano.

Anos depois, porém, eles já se encontravam na qualidade de federados do império e alguns de seus líderes tinham importantes posições na administração e no exército romanos.

Foi, aliás, o próprio contato com o mundo romano que os transformou “nos mais civilizados dentre todos os bárbaros” e também nos herdeiros de Roma, na Germânia ocidental e Gália, esta última depois chamada de França a terra dos francos.

Expansão do Francos

Nesse deslocamento os francos não abriram caminho só pelas armas, mas também pelas pacíficas migrações de famílias de agricultores e artesãos para áreas pouco povoadas.

De início concentraram-se no baixo Reno e na região que atualmente corresponde à Holanda. A partir daí expandiram-se rapidamente. ocupando zonas cada vez mais extensas. As numerosas tribos dividiam-se em dois grupos: os francos ripuários e os francos salmos.

Em 463, os primeiros tomaram a cidade fortificada de Colônia, fundada pelos romanos, e de lá seguiram em direção ao vale do Reno, desde Metz a Aquisgrana; algumas tribos ripuárias estabeleceram-se, ainda, na margem esquerda do rio.

Os francos salmos, ou seja, os que viviam às margens do rio Escalda, rumaram na direção sul e oeste, e já por volta do ano 356 ocupavam uma região da Gália compreendida entre os rios Mosa, Somme, e o oceano Atlântico.

Em 430 a Gália do norte já era parcialmente franca e o latim começava a se mesclar com uma língua germânica, criando um dialeto que, por sua vez, originaria o francês. Nessa época a base dos francos era a cidade de Tournai, situada na atual Bélgica.

A princípio, o projeto de unificar toda a Gália esbarrou com a oposição dos remos romano-bárbaros dos burgúndios e visigodos, assim como do reino de Siágrio – um general do exército romano -. a noroeste da Gália.

Crenças e Religião

A conversão dos francos O êxito da política expansionista de Clóvis não se deveu apenas às campanhas militares por ele empreendidas.

Esse sucesso foi conseguido, em grande parte, graças à sua conversão ao catolicismo, o que lhe garantiu o apoio da Igreja, na época a única força viva e atuante no sentido de preservar as tradições romanas, principalmente nas cidades.

A conversão foi sobretudo obra de Clotilde da Borgonha, com quem Clóvis se casou aos 27 anos. Clotilde, embora bárbara, era cristã e católica, o que constituía uma exceção, pois os bárbaros, naquele tempo, ou eram pagãos ou cristãos pertencentes à heresia ariana, que negava a Jesus a natureza divina.

Clóvis converteu-se ao catolicismo na noite de Natal de 496, para cumprir uma promessa feita às vésperas de uma perigosa batalha. Foi batizado na Catedral de Reims pelo bispo mais poderoso da Gália franco-romana, Remígio, que mais tarde seria canonizado.

Também se converteram, juntamente com Clóvis, 3 000 de seus melhores soldados. Com isso, as populações católicas da Gália passaram a considerar Clóvis e seus guerreiros não mais como novos invasores, mas como libertadores.

E a Igreja, suprema autoridade espiritual naquela Europa abalada pelas invasões de bárbaros pagãos e heréticos, viu nos francos providenciais aliados.

Seria exatamente a aliança entre a Igreja e os francos que modificaria o curso da História européia, sobretudo a partir do século VIII, com Carlos Magno. Muito hábil, Clóvis também obteve o apoio de Anastácio, imperador do Oriente, que de Bizâncio lhe outorgou o título de cônsul.

Tratava-se de um ato apenas formal, sem vínculo de subordinação, mas era um modo diplomático de manter a distância as forças bizantinas.

Roma alia-se aos francos

Astolfo, rei lombardo que assumiu o trono em 749, prosseguiu o projeto de Liutprando e procurou ampliar ao máximo as fronteiras do seu reino.

Em 751 conquistou Ravena, extinguiu o exarcado e pôs fim à dominação bizantina na Itália central. O papa Estêvão II tentou deter o avanço dos lombardos nos territórios bizantinos ao redor de Roma, por meio de gestões diplomáticas junto ao Império do Oriente, com o objetivo de promover a paz entre lombardos e bizantinos.

Entretanto, como seus esforços resultassem inúteis, recorreu aos francos, fazendo uma aliança com seu monarca, Pepino, o Breve.

No encontro que Estêvão II teve com esse soberano, em 754, ficou acertada a intervenção dos francos na Itália, para defender o papado dos ataques lombardos.

De fato, ainda em 754, acompanhado pelo papa, Pepino atravessou os Alpes, chefiando um grande exército para combater Astolfo, que, sem meios para enfrentá-lo, foi obrigado a pedir paz. A devolução da região de Ravena e outros territórios antes pertencentes a Bizâncio foi condição para a paz, finalmente conseguida.

Com o reconhecimento do rei dos francos, formou-se a Saneia Republica Romanorum, o Estado da Igreja (Estado Pontifício). Logo que Pepino retornou à França, Astolfo desrespeitou o acordo, assediando Roma. Os francos intervieram imediatamente, denotando os lombardos e obrigando-os à rendição ’em 756.

A restituição dos territórios conquistados pelos lombardos foi controlada pelos francos, e as cidades de Roma, Raveria, Rimini e outras foram reincorporadas ao Estado Pontifício.

O imperador do Oriente, Constantino V, protestou junto a Pepino, reivindicando os territórios cedidos ao papa, mas suas queixas não foram consideradas. Os lombardos, porém, continuaram a lutar pela posse desses territórios, mesmo sob o risco de guerra com os francos.

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Império Bizantino: Sociedade, Origem, Queda e Cultura

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Impulsionado sobretudo por Justiniano, que reinou de 527 a 565, o Império Bizantino conheceu um longo período caracterizado pela prosperidade econômica e pelo poderio militar.

Contratando um número cada vez maior de soldados profissionais para engrossar as fileiras do seu exército, Justiniano conseguiu re- constituir uma grande parte do império outrora conquistado por Roma: exata- mente a parte que lhe era necessária para dominar o Mediterrâneo, sobretudo o rico setor oriental.

Feitos do Império Bizantino

Mediante acordos, ofertas de dinheiro, ameaças ou exercício da força, o império bizantino retomou a fatia do Império Romano que lhes interessava.

No mesmo ano da insurreição do Nika, Justiniano garantiu a paz nas fronteiras orientais, assinando um tratado com os persas sassânidas.

E em 533, o imperador confiou ao general Belisário a execução do seu mais ambicioso projeto: a reconquista do Ocidente. O primeiro objetivo dessa campanha foi o reino dos vândalos, que compreendia a África setentrional (da atual Argélia até a Tripolitânia), as ilhas Baleares, a Sicília, a Sardenha e a Córsega.

Entre 533 e 534, Belisário venceu os vândalos, transformando seu reino em prefeitura do império. Em 535 Belisário foi enviado contra os ostrogodos, na Itália, conseguindo grandes vitórias: tomou Ravena (540) e aprisionou o rei Vítiges.

Mas em 540 mesmo, rompendo a “paz perpétua” que Justiniano obtivera, oito anos antes, o impe- rador persa Chosroês 1, da dinastia Sassânida, saqueou Antioquia. Com o objetivo de enfrentar o ataque dos persas, Justiniano chamou Belisário de volta, abrandando a pressão sobre a Itália.

Um novo acordo de paz com a Pérsia foi firmado, mas, en- tre 541 e 552, o rei Totila reconquistara os territórios dos os tmgodos na Itália.

O Império bizantino, a princípio comandados por Belisário e depois por Narses, retomaram a ofensiva. A derrota dos ostrogodos numa batalha travada na Umbria (552) e em outra próxima a Nápoles (553) garantiu a posse da Itália, que foi anexada ao império, como província, em 554.

Roma, tomada cinco vezes, saqueada, incendiada e arrasada, teve sua população reduzida de l milhão para 40 000 habitantes. Milão foi totalmente destruída e sua população, dizimada. Essas conseqüências tão desastrosas foram obra de Narses, o general que sucedera Belisário na campanha da Itália.

A Sociedade do Império Bizantino e sua cultura

O renascimento do Império do Oriente, tornado possível graças a Justiniano, alimentou e vitalizou o império bizantino por quase um milênio.

As conquistas militares de Belisário e outros generais do imperador foram de pouco significado, se comparadas às realizações da cultura bizantina, que deixou marcas profundas na maior parte das regiões sob sua influência.

 

O monopólio da seda

Desde os tempos dos primeiros imperadores romanos, a seda era o tecido mais valioso e procurado pelos ricos. Seu custo era realmente “astronômico” porque a seda, oriunda da China, era transportada por caravanas que percorriam difíceis caminhos através do coração da Ásia, ou por mar até um determinado ponto e em seguida por terra.

Durante a época de Justiniano, porém, a seda começou a ser fabricada em Bizâncio; foram provavelmente missionários cristãos ou então comerciantes que levaram as larvas do bicho-da-seda para Constantinopla.

A indústria da seda foi monopólio exclusivo do Império do Oriente. Rigorosamente regulamentados por editos e leis, a produção e o comércio foram por muito tempo uma das principais fontes de riqueza de Bizâncio.

Queda do Império Bizantino

Justiniano morreu em 565. Asconquistas feitas no Ocidente duraram pouco, e a peste enfraqueceu a capacidade dos bizantinos para enfrentar os ataques dos persas na Ásia. Ameaça ainda maior surgiu em 637, quando os árabes muçulmanos ocuparam a Síria e a Palestina.

Os eslavos fizeram o mesmo em diversas regiões da Grécia e da Ásia Menor, e os búlgaros chegaram aos arredores de Constantinopla. Mais tarde, os árabes tomaram todo o norte da África e a Sicília, além de Chipre, Rodes e outras ilhas.

Entre 726 e 843 o império foi abalado internamente pela disputa em torno do movimento iconoclasta, apoiado por vários imperadores, atacando as imagens religiosas. Foi-se estabelecendo o Grande Cisma, isto é, a separação entre a Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente.

No ano de 800, o papa Leão III deu ao rei dos francos, Carlos Magno, a coroa de “imperador dos romanos”. Caiam por terra as pretensões de universalidade dos herdeiros do Império Romano.

A partir de 867, com a ascensão da dinastia macedônica, o Império Bizantino tomou a iniciativa de combater os muçulmanos e, durante o reinado de Basílio II (976-1025), suas fronteiras alcançaram do Danúbio até Creta e do sul da Itália até a Síria. O comércio bizantino prosperava intensamente.

Domínio dos Turcos

O domínio dos turcos Os turcos, no entanto, logo enfraqueceriam o império. A perda da Anatólia para os seldjúcidas em 1071 foi o começo do fim. Ao lado dos ataques externos, o império bizantino foi sendo corroído por dentro por intrigas administrativas e os intermináveis conflitos de caráter religioso.

Os cruzados, chamados a auxiliar o império bizantino contra os turcos, saquearam Constantinopla. Isso ocorreu na IV Cruzada, financiada pelos venezianos, que, ao lado dos genoveses, impunham-se no comércio do Mediterrâneo sobre os bizantinos.

Em 1261, Miguel VIII, em Nicéia, restaurou o Império Bizantino, embora a Grécia ficasse dividida entre venezianos, catalães e franceses.

No século XIV o império estava reduzido a Constantinopla e a alguns territórios isolados. Os desacertos religiosos e comerciais impediram uma ação conjunta de Ocidente e Oriente contra os turcos.

Assim, em 1453, após um cerco que durou cinquenta dias, Constantinopla acabou caindo um mãos do sultão turco otomano Mohammed.

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Povos Bárbaros – Quem eram, Invasão aos Impérios e Origem

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Do ponto de vista da História ocidental, o Império Romano constituía, em sua época de apogeu, um centro mundial de civilização.

Mas, fora de suas fronteiras, outros povos criaram culturas originais, alcançando uma desenvolvida organização social. A esses povos, que não falavam latim e não estavam sob o domínio do império, os romanos chamavam “Povos bárbaros“.

A ROMANIZAÇÃO DAS TRIBOS GAULESAS

No século V a.C., tribos gaulesas ocuparam todo o norte da Itália, chegando até Bolonha e atingindo o litoral do Adriático.

Em 390 a.C., seus guerreiros saquearam a cidade de Roma, retirando-se após o pagamento de um resgate. O contato entre gauleses e romanos, na maioria das vezes hostil, terminaria por estender as instituições romanas por toda a Europa ocidental.

Povos Bárbaros- Tribos germânicas

Esses “povos bárbaros” que devastaram a Gália e a Itália, com a mesma eficácia, eram os povos bárbaros, tribos nômades que dominavam a Europa central e oriental.

Os gauleses os temiam muito antes da conquista de César, e os romanos, depois de perderem algumas legiões ao tentar dominar suas florestas sombrias, adotaram uma estratégia defensiva e procuraram contê-los mediante a construção de milhares de quilômetros de fronteiras fortificadas. do Reno ao Danúbio.

A guerra como vocação

Em alemão antigo Ger significa lança e Mana quer dizer homem, bárbaro, portanto, seria “o homem da lança”, “o lanceiro”, “o guerreiro”.

Embora essa interpretação da palavra “germano” seja controvertida, pois muitos estudiosos reivindicam a dominância da origem latina (germanus = irmão), a designação de guerreiros é muito apropriada para os povos que viviam há 2 000 anos junto às fronteiras setentrionais do Império Romano.

Para os povos bárbaros, a guerra era a única ocupação digna de um homem livre. E os guerreiros livres constituíam o segmento mais alto de sua sociedade.

Regularmente, durante o verão, empreendiam incursões pelos territórios vizinhos para realizar saques. No inverno, tempo de paz, as tribos dedicavam-se ao artesanato, ao comércio ou à criação de animais “nobres” como os cavalos.

Agricultura e criação de gado eram tarefas reservadas aos aldi (escravos semilivres), aos leti (membros de outras tribos germânicas dominadas) ou aos escravos propriamente ditos (prisioneiros de guerra de origem não germânica).

Olho por olho, dente por dente

A unidade social que determinava o sistema de parentesco entre os guerreiros livres, os arimani, chamava-se sippe, que quer dizer família, estirpe. Uma ofensa a um dos membros da sippe era assumida por todo o grupo.

“Olho por olho, dente por dente, sangue por sangue” – vingar uma ofensa era dever sagrado. Paralelamente, as sippe funcionavam como unidades de combate.

Durante a batalha, a sippe avançava numa formação em cunha. A ponta da cunha era ocupada pelo guerreiro que fora eleito chefe absoluto pela assembléia de nobres e arimani, investido de plenos poderes enquanto durassem as hostilidades.

A Assembléia dos Guerreiros

Os povos bárbaros nunca constituíram um Estado unificado. Cada sippe era uma unidade independente e dominava um determinado território, permanecendo ali por um tempo variável. O principal organismo de governo era a Thing ou Ding: a Assembléia dos Guerreiros.

Composta pelos nobres e arimani, a assembléia reunia-se periodicamente ao ar livre, à sombra de um grande carvalho ou de alguma outra árvore considerada sagrada.

A assembléia devia tomar todas as decisões de caráter básico: quando se deslocar em busca de um território mais fértil; quando estabelecer relações comerciais com outros povos; de que modo organizar os trabalhos coletivos; como regrar a vida cotidiana.

Funcionava também como tribunal, aplicando as leis tradicionais. Quando se tratava de tomar decisões de maior importância, era convocada a assembléia denominada “Campo de Maio”. Nessas ocasiões eram planejados os futuros empreendimentos militares e eleitos os reis, os chefes militares e os duques, cargos que, com o passar do tempo, se tornaram hereditários.

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A religião dos povos Bárbaros

O rei e os duques desempenhavam também a função de sacerdote. Interpretavam a vontade dos deuses, realizavam sacrifícios de animais e oferendas de primícias (primeiros frutos dos campos e dos bosques), dirigindo anualmente as festas sagradas.

Havia três divindades especialmente veneradas pelos : a deusa-mãe Nerthus (ou Freja, ou Hertha), que simbolizava a fecundidade da terra, dos rebanhos e das mulheres dos guerreiros; Wotan ou 0dim, deus da guerra e senhor dos mortos nas batalhas; e thor ou Donar, deus do trovão, amigo dos homens e dos artesãos em especial (sua arma simbólica era um martelo mágico). Mas havia também divindades menores, “espíritos” das florestas, das árvores, das fontes e de algumas pedras.

Áreas de influência germânica

As populações germânicas tinham origem indo-européia e se estabeleceram no centro-sul da Europa a partir do terceiro milênio antes da era cristã. Ampliando gradativamente os territórios dominados, dividiram-se em três grupos principais.

Os “germanos setentrionais” rumaram em direção da Escandinávia, dando origem aos atuais dinamarqueses, suecos e noruegueses. Os “germanos orientais” migraram para as terras a leste do rio Elba, chegando até o litoral do mar Negro.

Relações com os romanos

No entanto, romanos e germanos não se relacionavam apenas na guerra. Havia uma certa regularidade em suas transações comerciais, quando os germanos trocavam objetos de ferro, peles, couros, animais e escravos por trigo e vinho produzidos no Império Romano.

Suas relações aprofundaram-se quando algumas populações germânicas da fronteira se tornaram confederadas, isto é, aliados militares dos romanos.

Enfim, quando a retidão e a capacidade militar dos guerreiros germanos se tornaram famosas no Império Romano, os imperadores passaram a exigir que sua guarda especial fosse formada exclusivamente por soldados germânicos.

Os Cavaleiros Estepes

A leste do território das tribos germânicas, nas estepes da Rússia meridional – uma região que se estendia do mar Negro às fronteiras do Império Chinês -, viviam numerosíssimos povos nômades.

Da maioria não se conhecem sequer os nomes, e nenhum deles chegou a construir uma unidade política; eram aglomerados de tribos de pastores que se deslocavam em hordas, conduzindo seus rebanhos, utilizando carroças para o transporte e acampando sob barracas de peles.

Notabilizaram-se como guerreiros. Eram exímios arqueiros e dispunham de uma cavalaria extremamente organizada, que lhes possibilitava manobras ágeis e rápidas retiradas. Os hunos foram os mais famosos dos guerreiros das estepes.

O historiador latino Amiano Marcelino faz deles uma descrição impressionante: “São fortes, robustos, com o pescoço grosso e aspecto monstruoso ( … ).

Em suas migrações, o gado e as famílias os seguem em carros; é ai que as mulheres fiam, cosem, dão à luz os filhos e os criam ( … ). Os homens permanecem pregados nos cavalos, sobre os quais fazem tudo: reúnem-se em assembléia, compram e vendem…”.

Quando esses cavaleiros começaram a pressionar seus vizinhos germânicos, estes se precipitaram sobre o império, nas chamadas invasões dos povos bárbaros.

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Império Romano – História, Guerras, Exércitos e Queda

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A expansão do império Romano começou efe4tivamente com a República de roma (509 a.C.) e estendeu-se pelos 350 anos seguintes.

Exércitos, Guerras e Batalhas do Império Romano

A boa organização e armamentos eficientes garantiram as sucessivas vitórias das legiões. A manutenção dos territórios conquistados e a rapidez com que o exército se movia deveram-se, sobretudo, à construção de estradas que ligavam as províncias a Roma.

A expressão “todos os caminhos levam a Roma” era verdadeira; nasceu, provavelmente quando os romanos descobriram que suas legiões, máquinas de guerra e tropas de reforço deslocavam-se com uma rapidez três vezes maior que a dos inimigos, por estradas pavimentadas, construídas pelos próprios soldados.

Além dos objetivos militares, as antigas estradas consulares (assim chamadas porque recebiam o nome do cônsul encarregado de coordenar os trabalhos da sua construção) foram as vias de difusão da civilização romana.

Até hoje representam a espinha dorsal do sistema viário italiano e, em menor escala, de outros países europeus, antigas colônias romanas. De 264 a 146 a.C., os romanos lutaram contra os cartagineses pelo controle do tráfego e do comércio no mar Mediterrâneo.

O longo conflito denominado Guerras Púnicas (púnica vem de poeni, designação latina para os fenícios) terminou com a vitória total de Roma, assegurando-lhe a hegemonia na região do Mediterrâneo e facilitando a conquista da maior parte da Europa.

A guerra no mar

Nos combates navais da época, as embarcações, movidas com a maior velocidade possível por meio de remadores, eram lançadas contra os flancos dos navios adversários.

Como a ponta da quilha era equipada com um esporão metálico, o resultado era um buraco na lateral do navio inimigo, abaixo da linha d’água, o que causava o seu afundamento, Os cartagineses pareciam imbatíveis no mar.

Seus remadores eram mais rápido e os marinheiros podiam frear bruscamente a embarcação, mudar a sua direção de modo a defendê-la do esporão inimigo e efetuar outras manobras. Em 241 a.C., Roma construiu, em sessenta dias, uma esquadra de duzentos quinquerremes.

Baseados no modelo cartaginês, mediam 40 m de comprimento e abrigavam uma tripulação de duzentos homens armados. Tinham, porém, uma inovação: o “corvo”, espécie de ponte levadiça que caía sobre a nave inimiga, transformando-se numa passarela.

Os soldados podiam, assim, passar ao navio adversário e fazer do combate naval um combate semelhante ao terrestre, no qual eram peritos.

O Exército Invencível

Na primeira fase da Segunda Guerra Pánica o exército romano sofreu severas derrotas. A partir da batalha de Canas, porém, estabeleceram-se novas regras de tática e disciplina que o tornaram quase invencível.

Curiosamente, muitas das táticas foram aprendidas dos próprios cartagineses e depois desenvolvidas, com sucesso, por oficiais romanos.

Só em Esparta a disciplina militar foi tão rigorosa quanto no exército romano. Este era, de início, um exército de camponeses – cidadãos que serviam dos 17 aos 45 anos.

Dos 45 aos 60 passavam à reserva, mas, frequentemente, eram chamados para guerrear ou formar um cor pode defesa da própria cidade. A importância do serviço militar era tanta que nenhum cidadão podia se candidatar a um cargo público sem ter sido soldado durante pelo menos dez anos.

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Crise moral

Jesus Cristo nasceu durante o reinado de Augusto e foi supliciado quando Tibério era imperador. Em pouco tempo o cristianismo difundiu-se por todo o mundo romano.

No mesmo período surgiram doutrinas filosóficas que falavam de coisas que um legionário das Guerras Púnicas teria considerado indignas de um “verdadeiro romano”: fraternidade, liberdade, piedade e justiça. Do ponto de vista da história da civilização, esses novos estilos de pensamento representavam um passo adiante.

 

Queda do Império Romano

 

A queda do império Romano, do mesmo modo que sua ascensão, não teve uma causa, mas muitas. E também não foi um processo súbito, mas provocado por diversos e numerosos fatores ao longo de trezentos anos.

O colapso da agricultura e das manufaturas; a perda do mercado das províncias; as importações que superavam as exportações e a consequente drenagem do ouro para o exterior; o crescente custo dos exércitos, da assistência militar, das obras públicas, da burocracia, cada vez maior, e da corte, à qual se agregavam milhares de parasitas; a depreciação da moeda.

As devastações da guerra, das revoluções e das grandes epidemias (a peste de 2601265 fez 5 000 mortes por dia durante muitas semanas); o declínio da população a partir de meados do século II; os altos impostos, que desestimulavam as atividades produtivas.

A decadência das instituições políticas, que levou os cidadãos a se desinteressarem pela participação na vida pública; o despotismo, a violência e a corrupção dos homens que detinham o poder.

A divisão do império e a multiplicação das capitais, que rompeu a unidade administrativa. Escreve o teólogo cristão Salviano, testemunha dos últimos anos do Império Romano do Ocidente.

Em todas as cidades, em todas as vilas existem tantos tiranos quantos cobradores de impostos. Os pobres estão reduzidos ao desespero; viúvas e órfãos são oprimidos.

Fuga dos Romanos

Até mesmo muitos romanos de nascimento ilustre e de boa educação preferem procurar refúgio junto aos inimigos para escapar da tirania do Estado. E é junto aos bárbaros que encontram aquela justiça e humanidade que no passado caracterizaram a civilização romana.

Eles são diferentes dos bárbaros nos costumes, no idioma e pode-se dizer que se incomodam com o mau cheiro dos farrapos dos seus hospedeiros.

Entretanto, isso lhes é preferível a tolerar a injustiça dos romanos; escolhem a realidade de serem livres sob uma aparência de escravidão, a serem escravos sob uma aparência de liberdade. No passado, o título de cidadão romano era disputado, estimado; agora é desprezado”.

Nessas condições não era difícil prever a derrocada final. Os problemas internos – mais importantes que os externos – minaram o império.

Os bárbaros só entraram em ação quando a fraqueza de Roma era tal que os próprios romanos se sentiam mais livres entre os seus inimigos. Esse era um sintoma evidente do fracasso político, econômico e moral responsável pela ruína do império.
Écjo

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Roma – Origem, República e história

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Segundo inúmeros estudiosos, a lenda da origem de Roma baseia-se em acontecimentos reais. No decorrer da Idade do Ferro (séculos IX-VIII a.C.) populações de economia agrícola e pastoril haviam se estabelecido na região do Lácio: eram os latinos, sabinos, equos, volscos, lucanos…

Origem

Cada povo organizava-se em grandes famílias (gens), compostas, além dos núcleos familiares propriamente ditos, de amigos e servos que viviam e trabalhavam na área de influência da gens. A autoridade absoluta era exercida pelo chefe da família, ao mesmo tempo guia político, militar e religioso.

O traço de união entre as várias gentes (agregados de famílias descendentes de um mesmo ancestral) era o fato de falarem a mesma língua, lerem os mesmos usos e costumes e prestarem culto às mesmas divindades.

De tempos em tempos, alguns povos do Lácio – latinos, sabinos e lucérios – reuniam-se na cidade de Alba longa para render culto a Júpiter Latiaris, o maior dos deuses do Lácio. Nessas ocasiões reafirmavam-se as alianças de comércio e defesa mútua contra eventuais inimigos comuns.

Limites da autoridade durante a monarquia

Para governar, o rei apoiava-se no Conselho de Anciãos (Senado) e na Assembléia Curiata. Os senadores, vitalícios, eram nomeados pelo rei.

Este, porém, era escolhido por eles, sendo, em última instância, um delegado dos pater-famílias – e a escolha só tinha validade se confirmada pela Assembléia Corista, que reunia os patrícios divididos em trinta cúrias. Sempre que o rei quisesse modificar a lei, conceder perdões ou declarar guerra, precisava do consentimento deles

A República

Não se sabe com certeza se a República foi, de fato, estabelecida após um levante popular que levou à expulsão de Tarquínio, o Soberbo, ou se resultou de um lento processo evolutivo que restringiu progressivamente a autoridade monárquica em favor dos chefes das gentes.

De qualquer forma, com a sua instauração, o poder passou às mãos dos patrícios, que substituíram o rei por dois cônsules eleitos anualmente. Sua função abrangia o comando do exército e a supervisão das atividades judiciárias. Em latim, republica significa “coisa de todos”, mas a República romana pertencia a pouquíssimos cidadãos.

Além de possuir a totalidade das terras e monopolizar a vida religiosa, a aristocracia detinha o poder político; o Senado era a autoridade permanente, encarregada de controlar os magistrados, ocupantes temporários de cargos executivos.

Os patrícios dominavam também a Assembléia Cunata, que perdeu gradativamente suas prerrogativas para a Assembléia Centuriata.

Mas esta era dominada também pelos patrícios e quites. Cada centúria equivalia a um voto; os mais ricos, podendo equipar 98 centilrias, dispunham de mais votos que todas as outras classes, cujo total perfazia 95 centúrias. Mesmo nas assembleias da plebe, a fora dos patrícios excita-se através dos seus clientes, que votavam a seu favor.

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A Cidade do Rio

Ignora-se se foi realmente Rômulo que traçou o pomoerium (perímetro sagrado) da cidade, O fato é que a lendária fundação de Roma corresponde ao surgimento do Septimontium, uma federação de tribos latinas, sabinas e lucérías que habitavam as sete colinas de Roma.

Não se sabe também se o rapto das sabinas é lenda ou verdade, mas os ucessores de Rôniulo no governo da cidade foram, alternadamente, um sabino e um latino.

Segundo a tradição, Rômulo teria dado às gentes de Roma uma constituição político-militar que subdividia as tribos dos Titii (sabinos), Ramnes (latinos) e Luceres (tucérios) em dez cúrias cada uma, ao mesmo tempo que instituía um Senado de cem membros.

As divisões atendiam a objetivos militares: cada tite devia fornecer ao exército 1 000 soldados e 100 cavaleiros (100 soldados e 10 cavaleiros para cada cúria).

Comprovou-se, de fato – independentemente de ter sido Rômulo o autor da idéia -, que o Septiznontiuin, consideravelmente fortalecido do ponto de vista militar, obteve vitórias significativas sobre Veios e Fidenes, cidades etruscas das vizinhanças.

Esse desafio à Etrúria custou-lhes, porém, a ocupação. De 616 a 509 a.C. os etruscos dominaram a cidade e, conforme uma corrente histórica, foram eles que a batizaram, chamando-a de Ruinon, “a cidade do rio”.

A dominação etrusca

Coube aos etruscos a tarefa de transformar um modesto centro agropastoril numa cidade-Estado cercada de muralhas, com uma florescente atividade manufatureira e intenso comércio.

Segundo a lenda, o primeiro rei de Roma de origem etrusca foi Tarquínio Prisco, que obteve o poder com o apoio dos lucérios, tribo até então sem alguns dos privilégios dos latinos e sabinos.

Ao subir ao trono, Tarquínio recompensou-os com o acesso ao Senado, que lhes era vedado. Aos pater-familias de estirpe latina e sabina juntaram-se esses conscripti (agregados), totalizando o número fixo de trezentos senadores.

Tarquínio Prisco deu início à construção de importante obras públicas, como a Cloaca Máxima, sistema de esgotos que desembocava no rio Tibre, e o Circo Máximo. Tarqulnio foi sucedido por Sérvio Túlio, que cercou a área urbana de Roma com uma sólida colina de muros.

Ressentindo-se da medida, os grandes proprietários de terras conspiraram para depô-lo, Isso o levou a aliar-se a elementos ricos, fora da classe patrícia (os aristocratas), e a reorganizar o exército e o corpo eleitoral para fortalecer a sua posição.

Promoveu o censo dos habitantes e das propriedades, classificando os cidadãos em cinco classes. Para contrabalançar o poder dos aristocratas, criou também a classe dos equites (cavaleiros), homens que podiam equipar-se com armas e um cavalo (equus) e servir na cavalaria.

Sérvio Túlio foi assassinado e sucedido por Tarquínio, o Soberbo, que, violento e despótico, provocou descontentamento em todas as classes. Em 510 a.C., diz tradição, Tarquilínio foi expulso de Roma, e proclamou-se a República

SETE LONGOS REINADOS

De acordo com a tradição, o segundo rei de Roma foi o sabino Numa Pompílio, que fortaleceu a unidade das tribos e assegurou quarenta anos de paz ao povo.

Sob o reinado do latino Tulo Hostílio, Roma empreendeu uma política expansionista, o que é confirmado por uma série de fatos historicamente comprovados. A cidade de Alba Longa, antigo centro do Lácio, foi conquistada e destruída.

A seu sucessor, o sabino Mico Márcio, é atribuída a realização de obras públicas como o aqueduto Acqua Márcia e a fundação da colônia de Ostia, junto ao mar Tirreno, que abriu caminho para a expansão comercial de Roma.

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Etruscos: Roma, Arquitetura, Cultura, Origem e Quem Foram

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Grande parte das informações sobre os etruscos conhecidos na Antiguidade como tirrenos foi fornecida pela literatura e historiografia greco-latinas. mas ainda hoje sua origem continua sendo uma grande incógnita.

Segundo Heródoto, o “pai da História” grego, esse povo teria saído da região da Lidia, no oeste da Ásia Menor, passando antes pelo Egito e cruzando o Mediterrâneo em direção à península Itálica.

 Etruscos – Metalúrgicos e Negociantes

Os etruscos superaram todos os povos itálicos da época na metalurgia. Exploraram intensamente o subsolo, rico em minérios e, quando conquistaram a ilha de Elba, aumentaram consideravelmente seus recursos de ferro e cobre.

Em Populônia e Vetulônia, dedicavam-se à manipulação do metal bruto; o trabalho artesanal era feito em outras cidades. Armas e objetos de ferro, bacias, tripés e estátuas de bronze, além de adereços confeccionados em ouro e prata, enfeitavam as casas dos ricos e eram exportados para o exterior.

A pauta de importação incluía ouro, prata e marfim (do Oriente) e cerâmica de luxo (da Grécia). O desenvolvimento comercial intensificou-se nos séculos VII e VI a.C., quando os etruscos se tornaram concorrentes dos gregos e cartagineses no comércio marítimo do Mediterrâneo.

No século VI a.C., chegaram a dominar o mar Tirreno e o norte do Adriático (Que tem esse nome devido a Adria, uma cidade etrusca). Mas, como aconteceu com os gregos, os etruscos nunca chegaram a criar uma unidade política efetiva.

Embora estivessem vinculados por usos e costumes, laços étnicos, linguísticos e religiosos, sua história é igual a de muitas cidades-Estado, onde nem sempre a concórdia reinava. Frequentemente surgiam conflitos pela disputa do poder político.

Os governantes

O regime político tinha forma monárquica. As cidades eram governadas por reis e magistrados escolhidos numa casta aristocrática. Não se sabe se o cargo dos governantes era hereditário ou eletivo e, no caso de ser eletivo, se as funções eram vitalícias ou temporárias.

E provável que tenha havido uma diminuição progressiva do poder monárquico, pois a palavra lucumon acabou designando os magistrados e os membros das famílias aristocráticas das quais se originavam.

Durante o século V a.C. teria existido uma confederação de doze cidades – a dodecápolis etrusca – cujo centro era o santuário de Voltumna, situado, provavelmente, nos arredores da atual cidade de Bolsena.

Ignora-se, porém, sua duração e quais as cidades que dela faziam parte. Não parece, no entanto, que tal liga ultrapassasse o caráter religioso, constituindo um elemento de união política.

 Uma escrita indecifrável

As descobertas arqueológicas modernas, apesar de numerosas, não resultam em informações muito precisas; apenas esclarecem algumas dúvidas a respeito dos etruscos.

A escrita etrusca ainda permanece obscura. Dos inúmeros documentos encontrados – e que certamente contêm muitas informações – ainda não se conseguiu extrair muita coisa importante: decifraram-se somente nomes de pessoas e divindades.

A história dessa civilização é revelada sobretudo pelo culto que seus membros dedicavam aos mortos. Acredita-se que procurassem reconstituir nos sepulcros o ambiente em que os falecidos viviam.

É certo que houve escravos e acredita-se por outro lado que, pelo menos no período de grande florescimento econômico, chegou a existir um relativo igualitarismo. Este, porém, na decadência, foi cedendo terreno à dominação por parte dos aristocratas.

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A Religião

Pelo que se conhece, parece que a religião foi o elemento fundamental da cultura etrusca. Era particularmente importante a aruspicina, a arte de interpretar a vontade dos deuses através dos fenômenos naturais: a forma dos raios, o voo dos pássaros, as vísceras de animais oferecidos em sacrifícios etc.

Uma verdadeira “ciência” foi criada em torno dos presságios, reunindo-se os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, pela experiência, pela tradição e pela leitura dos textos sagrados.

Um ritual meticuloso presidia à leitura dos vaticínios feita por um especialista, o arúspice, que era procurado na esperança de que exercesse alguma influência sobre os poderes sobrenaturais, desvendando seus segredos.

Várias cerimônias realizavam-se nessas ocasiões: sacrifícios, consagrações, jogos públicos, procissões ou banquetes em homenagem aos deuses. Na vida do povo etrusco, o sacerdote desempenhava um papel mais importante que o dos políticos e dos guerreiros.

A originalidade das suas crenças e superstições, porém, não se verifica em relação às divindades que, em geral, foram adotadas da religião grega: Tinia (Zeus – Júpiter), Uni (Hera – Juno) e Menvra (Atena – Minerva) constituíam a tríade principal.

O terrível deus Charun governava o mundo dos mortos. Além disso, a cada fenômeno da natureza era atribuída uma presença divina, e tudo o que acontecia era ligado à vontade caprichosa e obscura de uma divindade.

As cores alegres da vida etrusca

Os afrescos dos túmulos revivem cenas de banquetes, danças e jogos, documentando a vida dos etruscos em cores vivas.

São eles o principal testemunho de que a alegria eia tão importante na vida do homem, que as imagens que faziam companhia ao morto deviam lembrar os momentos mais agradáveis da sua existência terrena.

Só no século IV a.C., no período de resistência à dominação romana, é que começam a ser representadas cenas sombrias e tristes, como que indicando que a infelicidade reinante na vida real se repetiria no além-túmulo.

O legado a Roma

Um dos principais divertimentos dos etruscos eram os jogos, que, a exemplo das Olimpíadas gregas, tinham significado religioso. As disputas eram de vários tipos: corridas, lançamentos, saltos e lutas corporais.

Acredita-se que se os etruscos não inventaram os combates de gladiadores pelo menos foram responsáveis pela sua difusão em toda a península Itálica.

Não foram só as lutas, porém, que a cultura romana incorporou da etrusca; muitos costumes, crenças, técnicas e mesmo leis passaram de um povo para o outro.

Arquitetura

Com os etruscos, os romanos aprenderam a construir pontes, cidades fortificadas e os característicos arcos etniscos, incorporados à arquitetura romana; adquiriram também conceitos básicos de agrimensura. A fé nos adivinhos e sacerdotes igualmente faz parte desse legado.

E o que foi mais importante para o papel que Roma desempenharia na História: de seus antigos conquistadores, os romanos assimilaram uma concepção do Estado e de sua organização militar que logo os capacitaria a dominar toda a península e em seguida a ultrapassar seus limites.

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Celtas – Tudo sobre, Quem Foram e Origem

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Os celtas têm fornecido matéria para muitas histórias, mas nenhuma é tão popular quanto a de Asterix e Obelix. Cercados de romanos por todos os lados, eles vivem numa aldeia que representa o último reduto de resistência, na Gdlia, contra a ocupação romana.

Júlio César exaspera-se e, a cada aventura vivida pios heróis, lança mão de novos artifícios com o fim de fazê-los capitular. Tudo é inútil. A poção mágica preparada pelo druida Panoramix torna-os quase invencíveis.

As aventuras de Asterix vingam, de certa forma, a verdadeira história dos gauleses – os celtas da Gália, que, comandados por Vercingetórix, resistiram com grande bravura aos romanos.

Em 52 a. C., porém, sem quaisquer condições de prosseguir na luta, Vercingetórix rendeu-se, lançando suas armas ao chão, como cabia a um chefe. Levado para Roma, foi exibido como troféu de guerra do perseverante César.

Com ele, caiu também toda a Gália, onde Júlio César viveu sua mais árdua campanha, segundo ele próprio narra em De Belio Gailico (Sobre a Guerra da Gália).

Tribos Celtas

A fixação inicial dos celtas na Europa ocorreu entre os rios Reno e Danúbio, a sudoeste da atual Alemanha, no fim do período de Bronze (2500-1900 a.C.). Nos séculos seguintes, aquelas várias tribos provenientes do mar Cáspio espalharamse por toda a Europa, atingindo também as ilhas Britânicas.

Coube aos celtas o importante papel de difundir em diversas regiões a cultura de Hallstat (entre 1000 e 600 a.C.), oriunda da Europa central: foi a primeira cultura metalúrgica, hábil na construção de armas de feno (espadas, punhais, lanças).

Por volta de 500 a.C., enquanto a cultura de Hallstat se esgotava na Europa centro-oriental, mais para o ocidente, numa região localizada na Suíça atual (Nêuchatel), desenvolvia-se e propagava-se a cultura de La Téne (500-0 a.C.).

Dispunha de elaborada metalurgia, mais refinada que a de Hallstat e, conforme os estudiosos, constituiu uma civilização essencialmente céltica.

A homogeneidade dos túmulos, ornamentos e armas indica ter sido comum a todas as regiões europeias que conheceram o domínio celta antes da conquista romana. Nesse período, verificaram-se novas migrações. A rapidez de sua expansão pode ser explicada pela qualidade das suas armas de feno.

Breno, terror da Europa

Breno é um nome conhecido na história de Roma mas, ao contrário do que se imagina, não é um nome de pessoa, e sim um título semelhante a “rei-chefe militar”. Por volta de 400 a.C., Breno conduziu diversas tribos, num total de 200 000 pessoas, para além dos Alpes, na planície do Pó.

Em 279 a.C., outro breno, comandando 300 000 guerreiros, invadiu a Macedônia e a Grécia e tentou saquear o tesouro do santuário de Delfos. Os celtas foram repelidos e esse chefe suicidou-se, envergonhado pela derrota.

Os sobreviventes passaram para a Ásia Menor semeando o pânico e o terror nas comunidades helênicas. Após anos de saques e devastações, os gregos da Ásia compraram os invasores e persuadiram-nos a se retirar para a Trácia, os Bálcãs e o norte da Frigia onde os celtas fundaram a Galácia, Estado que só perdeu a independência na época de Augusto, em 25 a.C. Entre os séculos VI e V a.C.

Os celtas invadiram a península Ibérica e se fundiram às populações nativas, dando origem aos celtiberos. Introduziram o ferro na Galiza (noroeste da Espanha) e no norte de Portugal, onde surgiu a cultura das citânias galaico-portuguesas, centros fortificados, construídos no topo das elevações. Suas ruínas ainda podem ser vistas na região do Minho, em Portugal.

A Civilização Celta

De 700 a 200 a.C. as tribos celtas dominaram o continente europeu, mas não se constituíram nunca em Estados. Essa fragmentação favoreceu sua derrota: no século 1 a.C., todos os domínios celtas – exceto a Irlanda e a Escócia estavam submetidos a Roma.

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Uma sociedade de classes

A organização social e política dos celtas pode ser estudada através das culturas irlandesa, escocesa e galesa, que se conservaram isentas de influências estrangeiras durante muitos séculos.

Os celtas radicados na Irlanda dividiam-se em cinco classes: nobres, sacerdotes ou druidas, livres, não-livres e escravos.

A maioria era formada pelos livres, geralmente proprietários ou artesãos especializados. Os não-livres arrendavam terras e exerciam funções consideradas inferiores.

Os nobres possuíam grandes extensões de terra e eram fornecedores de mão-de-obra, gado, mantimentos e ajuda militar ao rei.

De modo geral, nas comunidades celtas os homens livres eram reconhecidos pelos torques, colares de metal retorcido.

Os celtas irlandeses organizaram-se em pequenos Estados, cada um dos quais com um núcleo, o túath, onde se realizavam as assembleias populares dirigidas pelo rei.

Este exercia também as funções de juiz e chefe militar. Era eleito por uma cúria ou senado composto de nobres, mas a eleição era submetida à apreciação popular. Todos os homens livres participavam e as mulheres também podiam votar.

O clã: a unidade básica

A propriedade da terra pertencia não a um indivíduo, mas à família, e não podia ser alienada. A base de organização, que subsistiu na Irlanda e Escócia até o século XVII, era o clã – tribos compostas por pessoas de ascendentes comuns.

A monogamia só surgiu após as populações celtas serem cristianizadas. Até então o casamento só se efetivava após sete anos de vida conjugal, e antes que se cumprisse esse prazo ele podia ser dissolvido. Os filhos legítimos e ilegítimos eram reconhecidos.

Os gauleses No tempo de Júlio César (século 1 a.C.), os gauleses viviam em aglomerados urbanos, muitos dos quais fortificados (oppidum). Dedicavam-se à criação de gado, ovelhas, porcos e cavalos. Trabalhavam em cerâmica, metalurgia e tecelagem.

Viviam em cabanas de madeira ou de caniços trançados firmados com argila pintadas com cores vivas. Junto à morada dos chefes de clã eram cavados buracos que, revestidos de palha, eram destinados ao armazenamento de grãos de trigo e cevada necessários à sobrevivência da tribo.

A floresta: o templo dos celtas

Os celtas não construíam templos para realizar o culto religioso. A maior parte das cerimônias era celebrada nas florestas, lugares preferidos devido ao significado que tinham para a vida cotidiana: nelas se encontravam as fontes, se coletavam os frutos e se recolhia a lenha.

As árvores, sobretudo, revestiam-se de caráter sagrado: eram as formas que as divindades assumiam para se revelar aos homens.

As reminiscências desse culto permanecem até nossos dias, em aldeias da Irlanda, da França e de Portugal, onde se celebram festas em homenagem à “árvore de maio”. Os aldeões cantam e dançam ao redor de uma árvore, enfeitando-a com guirlandas.

Os druidas

O sacerdócio era exercido pelos druidas, em geral escolhidos na classe aristocrática. Seu nome significa “consciência do carvalho”, a árvore sagrada dos celtas. Desde crianças, submetiam-se a intenso aprendizado de religião, ciência, filosofia, poesia e tradição, junto dos joalheiros Celtas.

Esses ensinamentos eram transmitidos oralmente, pois os celtas não tinham escrita própria. Escreviam apenas para documentar seus negócios públicos, utilizando caracteres gregos. Os druidas, além de sacerdotes, eram professores, médicos e primeiros ministros, exercendo uma grande ascendência sobre o rei.

Viviam integrados na comunidade, casavam-se e podiam mudar-se de um lugar para outro. Eram apenas excluídos das funções militares. Doutrinavam fiéis, ensinando-os a cultuar os deuses, combater o mal e praticar bravuras.

Bravos guerreiros

Os guerreiros celtas lutavam nus, tendo como proteção um escudo de madeira reforçado com bronze, a espada e sua coragem.

Para eles, um herói não morria; a morte era só “um ponto no meio da estrada” – entre a vida terrena, com os humanos, e o além, com os deuses.

Mas nem a sua coragem nem as suas enormes armas de ferro impediram que fossem vencidos pelas legiões romanas, mais disciplinadas e portadoras de armas leves e manejáveis.

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Alexandre, o Grande (Magno) – Quem foi, Morte e Macedônia

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Em 336 a.C., dois anos após derrotar os exércitos de Atenas e Esparta, Filipe II foi morto. Nessa ocasião, Demóstenes, o grande orador ateniense, propôs à Assembléia votar uma menção de honra ao assassino do rei. Acreditava que com a morte de Filipe o avanço macedônio iria cessar, pois seu filho Alexandre magno (o grande), com apenas 20 anos, não teria condições de prosseguir as conquistas iniciadas pelo pai.

Tal convicção não só estimulou os gregos a organizarem uma rebelião contra a Macedônia, como encorajou o soberano persa Artaxerxes III a anunciar publicamente que seu reino nada tinha a temer daquele rapaz. Todos, porém, estavam errados.

Quem foi Alexandre o Grande

Quando rapaz, Filipe vivera alguns anos em Tebas, na qualidade de refém. Foi então que aprendeu a admirar a cultura grega em geral, e em particular os métodos militares que venceram os persas. Ao assumir o jovem, Filipe reformulou inteiramente o exército macedônio.

Era a primeira etapa de um plano que pretendia unificar política e militarmente os gregos, para depois lançá-los contra os persas.

Mas Filipe, mais do que um conquistador, era um estadista, recebeu numerosas vezes o dramaturgo Eurípides na sua corte, em Pela; fez do filósofo Aristóteles o preceptor de Alexandre o grande, seu filho e herdeiro; adotou o dialeto ático do grego como idioma oficial do seu império e, calmo, aguardou o momento de intervir numa Grécia esfacelada pelas rivalidades entre as cidades-Estado.

A grande aventura de Alexandre

Foi inútil a euforia de Demóstenes e Artaxerxes com a morte de Filipe, e o descrédito de ambos em relação a Alexandre o grande. Numa primeira demonstração de força, o jovem soberano reafirmou a hegemonia da Macedônia, levando seus exércitos até as portas de Tebas.

Foi mais um triunfo que uma campanha: por toda parte ele recebeu coroas de louros e promessas de fidelidade. Admirador, como seu pai, da cultura helênica, deu um voto de confiança às cidades-Estado: aboliu os governos controlados diretamente pelos macedônios e deixou que se governassem conforme suas próprias leis.

Em 335 a.C., porém, enquanto Alexandre o grande lutava contra os trácios e ilírios que ameaçavam as fronteiras da Macedônia, noticiou-se sua morte. Foi o bastante para que Atenas e Tebas se rebelassem.

Demóstenes, mais uma vez, propôs a formação de uma liga anti macedônia, mas nenhuma outra cidade-Estado aderiu. Ao regressar vitorioso da luta contra seus inimigos do norte, Alexandre o grande soube da rebelião. Furioso com o rompimento dos pactos, em treze dias desceu com suas falanges à Grécia para esmagar os insurretos.

Tebas acabou destruída pelo fogo e seus habitantes foram vendidos tomo escravos, enquanto Atenas, igualmente rebelde, mereceu um tratamento generoso.

Alexandre o grande perdoou-lhe a violação dos compromissos assumidos e até o fim da vida, apesar da campanha que lhe moviam Demóstenes e outros líderes democráticos, manteve uma atitude de respeito pela mais culta pólis da Grécia.

Tendo recebido novos protestos de lealdade de todas as cidades-Estado (com exceção de Esparta), Alexandre o grande voltou à Macedônia e preparou a invasão da Ásia.

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A conquista de um império

Em 334 a.C., Alexandre o grande desembarcou na Ásia, no cabo Sigeu, com um exército de 35 000 infantes e 5 000 cavaleiros. Como dispunha de poucos navios, decidiu conquistar inicialmente as colônias gregas da Asia Menor, sob o domínio dos persas desde 386 a.C.

Quase todas abriram-lhe as portas sem resistência; em troca, ofereceu-lhes governos democráticos sob o seu protetorado.

O primeiro confronto ocorreu em Isso, onde Dano III o esperava com um exér- cito de 600 000 homens. No final do combate, Dano abandonou o campo de batalha tão rapidamente que deixou para trás sua própria família e todo o ouro destinado ao pagamento de suas tropas.

A seguir, Alexandre o grande conquistou a Síria, a Fenícia e a Palestina. No Egito, onde foi acolhido como libertador, honrou os deuses locais, declarou-se filho supremo de Amon e ocupou o trono que pertencera aos faraós.

Sua permanência de quatro meses no Egito foi marcada pela fundação de Alexandria, que se tornou um dos maiores centros culturais e comerciais da Antiguidade.

Em 331 a.C. Alexandre o grande deixou o Egito para o segundo confronto com Dano. A batalha foi travada em Gaugamelos e, após a vitória, Alexandre avançou sobre Babilônia, Susa e Persépolis, submetendo o Império Persa. Estava realizado o sonho de seu pai.

Até os confins do mundo

Alexandre era violento e generoso. Em 330 a.C., quando chegou ao seu conhecimento que Dano 111 tinha sido deposto e assassinado por ordem de Besso, sátrapa de Bactriana, ordenou que o corpo do rei fosse levado para Persépolis, onde foi sepultado com todas as honras. Mais tarde capturou Besso e o fez executar.

Com esse gesto, sensibilizou os penas e praticamente assumiu a condição de herdeiro do trono. Mas a conquista da Pérsia não bastava para Alexandre. Em 326 a.C., atravessou o rio Indo com um poderoso exército e, auxiliado pelo rei de Taxila, derrotou o rei Poro, pretendendo avançar até o Ganges.

Seus soldados, porém, recusaram-se a prosseguir: estavam fartos de lutar. Abatido, Alexandre empreendeu .o caminho de volta a Susa, cidade mesopotâmica que havia escolhido para sede temporária de seu império. Uma parte do exército voltou por mar.

Os demais seguiram por terra, numa caminhada extremamente penosa. Ao atravessarem o deserto de Gedrósia (atual Beluquistão), os ataques das tribos inimigas, somados ao intenso calor e à sede, fizeram uma verdadeira carnificina. Quando chegou a Susa, o exército contava com menos 10 000 homens.

O próprio Alexandre estava semilouco. Em 324 a.C., recuperado, Alexandre o grande formulava novos planos de conquista. Tencionava submeter a Arábia e conquistar a Europa até as colunas de Hércules (Gibraltar), chegando mesmo a enviar um comando para explorar as regiões do mar Cáspio.

Mas, em junho de 323 a.C., foi acometido de uma febre que acabou por levá-lo à morte em apenas dez dias. Tinha 33 anos de idade.

A civilização Helenística e a morte de Alexandre o Grande

O império que Alexandre o grande construíra não sobreviveu à sua morte, mas o seu projeto de uma aproximação entre Oriente e Ocidente foi coroado de êxito. O encontro entre as culturas grega e oriental deu origem a uma unidade jamais experimentada na Antiguidade.

Foi a civilização helenística, assim chamada porque a contribuição helênica predominou sobre a oriental. As instituições e valores que caracterizavam a cultura gregas exerceram profundas influências sobre as regiões conquistadas, ao mesmo tempo que delas adotavam costumes, algumas tradições e, sobretudo, cultos religiosos.

Para muitos historiadores, a era helenística marca o ponto culminante do progresso humano no mundo antigo, antes que se firmasse o poderio de Roma.

Alexandre o grande morreu em 323 a.C.; em 146 a.C., a Grécia e a Macedônia eram províncias romanas. Mas o novo conquistador já se impregnara da cultura que por dois séculos promovera a fusão do Ocidente e do Oriente.

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Expansão Grega – Como ocorreu, Mediterrâneo e colonização

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Veremos neste artigo como foi a expansão grega.

Expansão grega e colonização

Os dórios invadiram a Grécia continental no fim da Idade do Bronze, nos séculos XII-XI a.C. Para escapar aos conquistadores, levas de aqueus, jônios e eólios abandonaram a região e foram se estabelecer na Trácia, nas costas da Asia Menor e nas ilhas do mar Egeu, dando origem à ocupação helênica da bacia do Mediterrâneo.

O fluxo migratório reiniciou-se no século VIII a.C. e as causas disso estavam profundamente associadas: a decadência do sistema gentílico (de famílias vinculadas entre si pela existência real ou lendária de um ancestral comum), o crescimento populacional e o desenvolvimento da pólis (cidade-Estado).

Durante séculos, a propriedade da terra e dos instrumentos de trabalho fora coletiva e sua distribuição efetuada pelo chefe do genos (grupo familiar), segundo o critério de parentesco mais próximo ou mais distante.

Sistema em declínio

Na pólis esse sistema entrou em declínio, dando lugar a outro com maior diferenciação, fundada na concentração da propriedade. As famílias, progressivamente, tenderam a concentrar direitos e privilégios nas mãos dos homens mais velhos e estes se transformaram em grandes proprietários territoriais – os aristocratas.

Apoiados pelos seus parentes e pelas inúmeras pessoas que estavam sob sua dependência econômica, acabaram também por assumir o poder político da pólis. Para os descontentes, não havia outra alternativa senão a de abandonar a cidade.

Fora do genos eram importantes; dentro dele, submissos. Por outro lado, os endividamentos tinham reduzido os pequenos proprietários de terras à pobreza. Como a aristocracia não abria mão dos seus privilégios, aos pobres e descontentes só restava emigrar.

Do século VIII ao século VI a.C., milhares de gregos saíram do continente, das ilhas e das cidades da Trácia e da Ásia Menor que se haviam originado de colônias fundadas na primeira migração.

A princípio, a colonização não se processou de maneira organizada.Os colonos agrupavam-se e partiam baseados somente em informações obtidas de mercadores e marinheiros.

Com o tempo, porém, a fundação de uma colônia (apoikia) passou à tutela da cidade natal, que, além de fornecer sementes, víveres, utensílios e navios para o transporte dos emigrantes, também assumia a função de metrápolis (cidade-mãe). Entretanto, na área política, a colônia constituía uma cidade e Estado independente.

Os caminhos do mar mediterrâneo

Com a expansão grega eles tinham no mar uma saída fácil, que se abria em todas as direções: para o mar Negro, através da ligação estreito de Dardanelos—mar de Mármara estreito do Bósforo, onde os colonos de Mileto (milésios) fundaram Sinope e Olbia.

Os mégaros, Bizâncio, e os da Fócida, Lampsaco para o Egito e o norte da África, onde os milésios fundaram Náucratis e os dórios da ilha de Tera, Citene; para a bacia central do Mediterrâneo, onde os aqueus, messênios, lócrios e coríntios deram origem à Magna Grécia (nome dado pelos antigos romanos às cidades helênicas do sul da Itália e Sicilia).

E, a partir da Itália, a expansão grega atingiu o Mediterrâneo ocidental semeando colônias no sul da Europa só de ataque por terra.

Os melhores lugares quase sempre já estavam ocupados, e a expansão grega conquistrou pela força ou pela astúcia, ou seja, reduzindo à escravidão os habitantes ou então confraternizando com eles, seduzindo-os com a sua cultura ou adotando-lhes alguns dos deuses.

O intercâmbio estabelecia-se rapidamente. Os colonos ofereciam os produtos da manufatura grega e em troca obtinham trigo, gado ou minerais, que passavam a exportar para todo o Mediterrâneo e sobretudo para a metrópolis.

Consequências da colonização

De modo geral, o caráter da colonização da expansão grega foi comercial. Isso pode ser comprovado pelo fato de que os Estados de economia agrícola – da Grécia central – ficaram à margem do processo. A colonização ampliou sensivelmente os antigos limites do mundo grego, fato que teve importantes consequências econômicas e sociais.

A divisão do trabalho entre cidade e campo tomou-se mais acentuada. Nas cidades se desenvolveram as atividades manufatureiras (metalurgia, cerâmica, têxteis) e se fortaleceu a posição dos comerciantes e armadores (fabricantes de naus).

Mas o amplo esforço colonizador da expansão grega teve notáveis resultados também no campo da cultura. As relações econômicas entre as diferentes regiões favoreceram enormemente a evolução da civilização grega, enriquecida com as influências da cultura egípcia, babilônica e assíria.

O alfabeto, por exemplo, aperfeiçoado pelos jônios e difundido por todo o mundo helênico, foi aprendido dos fenícios.

Nas colônias, mais que no continente, floresceu a poesia, a prosa, a matemática, a filosofia e a história gregas. Sem elas, a civilização grega como a conhecemos talvez não tivesse existido. E, por isso, a cultura grega pôde alastrar-se pela Ásia, África e Europa.

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Grécia – Atenas (democracia), Esparta, História e Origem

grecia

A antiga Grécia dividiu a humanidade em duas categorias: os helenos (eles próprios) e os bárbaros (todos os que não falavam o idioma grego). Todavia, a essência desse “modo de ser helênico” não foi geográfica ou linguística, mas cultural e social.

Grécia e sua chegada na história

Por volta de 2000 a.C. a ilha de Creta era o centro de uma notável civilização que estendia sua influência sobre as ilhas do mar Egeu e todo o Mediterrâneo oriental, e que passaria à História sob o nome de civilização minoica.

Foi nesse momento que as primeiras levas de povos indo-europeus se abateram sobre a península da Grécia. Esses invasores eram os jônicos e os aqueus (uma parte dos quais recebeu o nome de eólios). Eram tribos guerreiras, provenientes das estepes meridionais da Rússia e das terras ao longo do Danúbio.

Como não conheciam a navegação, permaneceram durante muito tempo sem ameaçar as sofisticadas populações das ilhas do Egeu; em contrapartida, suas armas de bronze triunfaram sem dificuldades sobre os machados de pedra dos habitantes da Grécia continental, conhecidos pela denominação genérica de pelasgos. Desse encontro entre culturas de níveis diversos resultaria uma entidade única: a civilização helênica.

Por mais de trezentos anos os jônios e os aqueus espalharam-se pela Grécia, mesclando-se aos pelasgos e impondo-lhes sua cultura superior.

Paralelamente, sofriam o impacto da elaborada civilização egeia: estabeleceram relações comerciais, com os cretenses e aprenderam a arte da navegação.

A partir de 1650 a.C. desenvolveram uma cultura própria, embora sob forte influência minoica. Foi a chamada cultura micênica, cujo centro irradiador era a cidade aqueia de Micenas, na Grécia continental.

O governo de poucos

Por volta do final do século VIII a.C., não existia mais a monarquia. A realeza reduzira-se à condição de magistratura: não era mais vitalícia e hereditária, mas um cargo com vigência de um ano, acessível a todas as famílias da aristocracia.

Essa palavra da Grécia (aristokratia) significa o poder dos aristoi, isto é, dos “melhores”, dos “bem-nascidos”; designava basicamente a camada social dos grandes proprietários de terras. A nova expansão do comércio e das atividades manufatureiras veio mudar esse quadro.

No século VII a.C., muitos comerciantes e artesãos começaram a constituir u[Ema classe intermediária endinheirada, que estabeleceu vínculos matrimoniais com elementos da nobreza. Aos poucos, o regime aristocrático converteu-se em plutocracia, ou seja, na predominância política dos ricos.

O poder passou, portanto, às mãos dos lóligos (os poucos); os gregos chamaram a nova elite de oligarquia. No entanto, o descontentamento das classes trabalhadoras, sobretudo camponeses e artesãos pobres, deu origem a tensões sociais que determinaram o surgimento, no século VI a.C., de um novo personagem – o tirano – que assumiu o poder na cidade-Estado em nome do povo.

A tirania, que se propunha combater o privilégio dos oligarcas e melhorar as condições de vida do povo foi, em Atenas, o primeiro passo para a democracia. A evolução da maioria das cidades e estados seguiu esse percurso, mas houve exceções. Uma delas foi Esparta.

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O nascimento de Esparta

A sociedade dividia-se rigidamente em três categorias: esparciatas, periecos e hilotas. Os primeiros eram os cidadãos, descendentes dos conquistadores dóricos, únicos a poder ocupar cargos públicos.

Os periecos eram homens livres que habitavam os arredores da cidade; é provável que descendessem de populações voluntariamente submetidas aos dórios ou de povos que em certa época se aliaram a estes. Podiam comerciar e dedicar-se à atividade manufatureira, mas estavam excluídos da vida pública.

Os hilotas eram escravos da Grécia, sem direito algum, embora constituíssem a maioria da população. Ao atingir seu ponto máximo de crescimento, no século V a.C., Esparta contava com 400 000 habitantes; pouco mais de Seus eram esparciatas.

A constituição de Esparta, elaborada por Licurgo (entre os séculos IX e VIII a.C.), quando essa desproporção era ainda mais acentuada, considerou exatamente o fato de os esparciatas constituírem a minoria. O único modo de enfrentar as inevitáveis rebeliões internas era manter a pólis em permanente estado de guerra.

Atenas e a Democracia

A história de Atenas é bem diferente da de Esparta. Os jônios fixaram-se na bem abrigada e fértil península da Mica, onde havia minas de prata e os excelentes portos naturais do Falem e do Pireu.

No período das invasões dóricas, a situação geográfica da Ática foi um fator decisivo para protegê-la do assédio dos conquistadores e, desse modo, a península pôde conservar alguns traços da civilização micênica. No fim do século V a.C., as diversas comunidades da Ática encontraram-se unidas sob a liderança de Atenas.

No século VII a.C., o comércio marítimo, a manufatura de cerâmica, a cultura da vinha e sobretudo da oliveira – segundo as lendas, o grande presente da deusa Atena à sua cidade, proporcionaram a riqueza a algumas famílias e a miséria a muitas outras.

Estadistas atenienses

As primeiras leis escritas de Atenas foram redigidas por Dracon em 621 a.C. e surgiram para aplacar as revoltas populares contra o poder dos eupátridas. Sua severidade, entretanto, apenas reforçou o governo oligárquico.

Os aristocratas poderiam ter preservado seu domínio não fossem alguns fatores: até o século VI a.C., a massa da população era da mesma estirpe dos governantes e tinha direitos de cidadania; o comércio e o artesanato produziram uma classe de trabalhadores urbanos mais livres do controle dos nobres que os camponeses, e a classe média enriquecida, cerceada nos seus direitos, solidarizava-se com as camadas populares.

O declínio da Grécia

De 404 a 371 a.C., a hegemonia da Grécia pertenceu a Esparta. Velhas oligarquias retornaram ao poder onde quer que houvesse um governo democrático; o confisco de propriedades e os assassinatos foram métodos normais de combate às oposições.

O ressentimento contra a dominação espartana cresceu, em 371 a.C., o brilhante general Epaminondas, de Tebas, derrotou os espartanos em Leuctras.

Seguiu-se breve período de supremacia tebana, mas era tarde: a longa sucessão de guerras levara as cidades-Estado à exaustão.

O conceito de pólis desmoronara e, com ele, segundo o grande orador ateniense Demóstenes, também se perdera a única arma capaz de impedir Filipe II da Macedônia de conquistar todo o mundo grego – o que aconteceu em 338 a.C., prenunciando a ofensiva dos macedônios e gregos contra o Império Persa.

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Imagem- resumoescolar.com.br              ensinarhistoriajoelza.com.br