Cruzadas – Causas, Razões e Objetivos – Principais Datas

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A 26 de novembro de 1095 já se podia ver, em Clermont, uma fina camada de neve. Era o inverno chegando à capital de Auvergne, França, onde a Igreja convocara um concilio. A notícia de que o papa Urbano II estaria presente atraiu uma grande e ruidosa multidão, mas quando o pontífice tomou a palavra, do alto de uma tribuna, fez-se silêncio: todos sabiam que o papa ia falar sobre os graves acontecimentos ocorridos na Palestina (Terra Santa) e que tanto estavam assustando a Europa.

A propaganda de recrutamento

E Odo, o monge beneditino francês que sete anos antes se tomara papa como Urbano II, dirigiu-se à multidão em sua própria língua: ”Povo dos francos! Povo amado e escolhido por Deus! Das cidades de Jerusalém e Constantinopla recebemos a grave notícia de que uma raça maldita, totalmente indiferente a Deus, invadiu as terras cristãs e está arrasando sua população a feno e fogo.

Os invasores fizeram prisioneiros, levando parte deles como escravos à sua terra: outra parte foi trucidada após cruéis torturas. Destruíram os altares depois de os terem contaminado com a sua impureza. Abandonai, portanto, o ódio que existe entre vós. Encerrai vossos litígios. Tomai o caminho do Santo Sepulcro de Cristo; arrancai aquela terra das  mãos dessa raça maligna e submetei-a ao vosso domínio. Jerusalém é fértil, um paraíso de delícias. Aquela cidade régia, situada no centro da Terra, vos implora que acorrais em seu auxílio. Iniciai com entusiasmo a viagem e obtereis o perdão dos vossos pecados.

Lembraivos de que recebereis recompensa e glória eternas no Reino dos Céus!” Primeiro um estremecimento e depois um grito de indignação sacudiu a multidão. Subitamente. Pedro de Amiens. um famoso monge pregador, chamado o Eremita, levantou o brado: Deus vuli! (“Deus o quer!”) Começava, assim, a “propaganda de recrutamento” para a primeira de uma série de Cruzadas, expedições guerreiras que por dois séculos contraporiam a cruz de Cristo ao crescente do Islão.

 

A Terra Santa nas mãos dos infiéis

A peregrinação aos lugares santos, tradição iniciada no século IV e profundamente arraigada em todos os setores da cristandade, sempre fora tolerada pelos árabes. No século XI, porém, na Palestina e em todo o mundo islâmico oriental ocorreram grandes mudanças: o poder dos árabes foi abalado com o avanço das tribos turcas. Em 1076, após terem ocupado a Síria, a Mesopotâmia e os mais ricos portos do Oriente, os turcos seldjúcidas tomaram Jerusalém, cidade sagrada de cristãos, judeus e muçulmanos.

Embora na Palestina houvesse outros lugares de devoção, como Nazaré e Belém, para os cristãos Jerusalém revestia-se de uma importância toda especial, pois abrigava o Santo Sepulcro de Jesus Cristo. Os turcos, muçulmanos como os árabes, eram, no entanto, muito mais rudes e fanáticos que aqueles, e foram implacáveis com os cristãos.

Embora as notícias que chegavam à Europa fossem exageradas, é verdade que mais de uma vez os turcos empreenderam perseguições contra os cristãos fia Terra Santa.

O desejo de arrancar aquelas regiões das mãos dos “infiéis” foi um poderoso estímulo religioso, que induziu numerosos cristãos a vestir a armadura e o manto branco cruzado, ou seja, marcado com a cruz vermelha de Jesus Cristo.

O apelo de Urbano II encontrou acolhida favorável na França, Itália e Alemanha, onde se difundiu a impressão de que estava em jogo a sorte da cristandade, e defendê-la era um dever de obediência à vontade divina. “Deus o quer!” tomou-se o grito de guerra lançado por todas as categorias sociais, sobretudo pelos irrequietos e turbulentos cavaleiros, que procuravam uma saída para suas aspirações e ambições, e para os comerciantes, que entreviam nessa empreitada uma excelente oportunidade de desenvolver seus negócio

 

Causas: Razões políticas e econômicas

O avanço dos turcos não incomodava apenas os peregrinos; ameaçava também o Império Bizantino, que durante sete séculos fora o baluarte cristão contra a expansão do Islão em direção às regiões orientais do continente europeu.

Do ponto de vista estratégico, portanto, as Cruzadas serviriam para reforçar o império e estabelecer no Oriente Próximo uma série de remos, Estados, feudos cristãos e “latinos”, ou seja, fiéis ao papa e aos interesses europeus. O projeto, naturalmente, foi muito bem visto pelas repúblicas marítimas italianas, prejudicadas pelos turcos, que haviam cortado suas vias de comércio com o Oriente.

Remos cristãos e “latinos” por certo abririam para elas as portas daquele mundo fabulosamente rico. Para os deserdados, a Palestina era mais que a Terra Santa; convertera-se na Terra Prometida: barões arruinados, cavaleiros sem feudo, nobres ambiciosos e aventureiros de todo tipo esperavam obter terras, riquezas e honrarias, com a bênção papal e a aprovação da cristandade. Assim, as Cruzadas foram bem mais que um desafio religioso que o Ocidente cristão lançou ao Islão.

Objetivo das Cruzadas

As Cruzadas tiveram como objetivo inicial recapturar Jerusalém e a Terra Santa do poder muçulmano.

O INTERESSE DOS HUMILDES

O entusiasmo pela Cruzada transformou-se em autêntico fanatismo: dezenas de milhares de pessoas, entre mulheres, velhos, crianças, declararam-se ardentemente dispostos a brandir a cruz e a espada e partir de imediato para libertar o Santo Sepulcro.

O fervor religioso parece ter sido o elemento fundamental desse impulso, mas além disso concorreram outros fatores. Por exemplo, o papa desobrigava servos e vassalos do vinculo de fidelidade aos seus senhores feudais, enquanto durasse a guerra, o que parecia uma dádiva dos céus para centenas de pequenos feudatários.

Também os camponeses e servos da gleba tinham a oportunidade de aventura e glória, bem como a esperança de frituras recompensas. Aos cruzados era oferecida a indulgência plena, ou seja, eram-lhes perdoados todos os pecados até então cometidos. Além disso, se dali para a frente praticassem crimes, seriam julgados por uni tribunal eclesiástico, disposto a fecha, os olhos às culpas dos que tivessem s redimido na Palestina

AS CRUZADAS DIVIDIDAS POR DATAS:

  • Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096)
  • Primeira Cruzada (1096-1099)
  • Segunda Cruzada (1147-1149)
  • Terceira Cruzada (1189-1192)
  • Quarta Cruzada (1202-1204)
  • Cruzada Albigense
  • Cruzada das Crianças (1212)
  • Quinta Cruzada (1217-1221)
  • Sexta Cruzada (1228-1229)
  • Sétima Cruzada (1248-1254)
  • Oitava Cruzada (1270)
  • Nona Cruzada (1271-1272)

 

O que Marcou o Fim Da Idade Média – Anos

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Confira O que marcou a idade média. lix V, numa fase extremamente conturbada da Igreja católica. Na realidade, ele fora eleito em oposição a outro papa. Nicolau V e, em 1449, acabou por renunciar à tiara papal. Entretanto, conseguira reorganizar os Estados pontifícios, transformara-os em ducados e legara aos seus herdeiros uma sólida base de governo em Savóia, – Após a morte de Lourenço, o Magnífico, a Florença do fim do século XV parecia ter esquecido o tempo dos Medici.

Animado pela pregação de um fervoroso frade dominicano, Girolamo Savonarola (que condenava a corrupção do papado, o luxo dos ricos, a vida dos cidadãos que renunciavam à dignidade em troca do bem-estar), o povo de Florença instituiu a República.

Mas esse regime teve vida breve e conturbada: quase diariamente os chamados encolerizados (sequazes da República) se defrontavam com os palleschi (partidários dos Medici). Finalmente, Savonarola foi condenado à morte e os Medici restabelecidos no poder.

Marcos do Fim da Idade Média

Estrangeiros na Itália

Em Milão, Gian Galeazzo Maria Sforza, filho de Francisco, tomou-se tão tirânico que foi preciso eliminá-lo: morreu apunhalado em 1476, deixando um filho pequeno demais para governar. Cicco Simonetta foi nomeado regente, mas acabou, por sua vez, sendo eliminado pelo tio do futuro duque: Ludovico Sforza.

Ludovico foi um Sforza duro, mas sob seu governo Milão prosperou como nunca. Embora os milaneses gostassem de Ludovico, e ele fosse um notável governante de um ducado poderoso, não tinha o título para exercer o poder. Assim, algumas potências começaram a cobiçar Milão.

Por motivos de parentesco ou casamentos, havia pretensões tanto da parte do rei de Nápoles quanto da monarquia francesa. Ludovico, porém, cometeu um erro trágico: para enfrentar o soberano de Nápoles pediu a ajuda da França. Em 1500, foi aprisionado pelos franceses, vindo a morrer no cárcere.

Milão foi ocupada pelo exército francês e só em 1526, pelo tratado de Madri, a França abdicou a suas pretensões na Lombardia. Mas em 1535, tendo o último Sforza morrido sem deixar descendentes, seu suserano, Carlos V, anexou Milão aos domínios dos Habsburgo.

FAUSTO E DECLÍNIO

Festas e banquetes semelhantes aos que eram patrocinados pelos Medici, em Florença, costumavam ser realizados em inúmeros outros lugares da Europa, onde condes, duques, marqueses ou reis exercessem poder político.

De regra, gastava-se tanto com as forças mercenárias para manter no poder determinada família quanto para sustentar poetas famosos, cientistas ilustres, pintores notáveis, todos disputados a peso de muitos florins ou ducados pelos diversos senhores.

O “diretor artístico” das mais esplendorosas festas de Milão, por exemplo, foi nada menos que Leonardo da Vinci. No entanto, essa alegre e luxuosa Itália precipitava-se rápida e inevitavelmente para o abismo.

O fiel da balança Após a paz de Lodi, o “fiel da balançada política italiana – a garantia de paz que convinha a todos – foi Lourenço, o Magnífico. Por meios variados (dinheiro, alianças ou ameaças), ele soube manter estável o difícil equilíbrio entre os Estados italianos.

Lourenço, porém, morreu em 1492, com apenas 43 anos, provavelmente de câncer no estômago. Poucas semanas mais tarde, Cristóvão Colombo descobriria a América e a história da Europa sofreria uma grande reviravolta. No século seguinte, a Itália cairia sob a dominação estrangeira, na qual se manteve por 350 anos. No século XVI foi a vez de Portugal e da Espanha, as novas potências comerciais do Ocidente, tomarem o lugar que as cidades-Estado italianas haviam ocupado até então.

Gênova e Veneza no fim da idade média

Para conseguir a supremacia dos ma- res e o controle das rotas do Oriente, a frota de Gênova atacou e venceu a de Veneza, sua grande rival, ao largo da ilha de Cúrzola, na Dalmácia. esse fato marcou o período áureo de Gênova, a rainha do Mediterrâneo, cujos navios singravam todos os mares transportando as cargas mais preciosas.

Enquanto isso, Veneza preparava a revanche, expandindo-se para o interior do território italiano e empreendendo contra Gênova guerras periódicas.

Finalmente, a vitória coube a Veneza, que abateu a poderosa rival ao término da chamada “guerra de Chíoggia” (1378/81), durante a qual houve uma série de confrontos armados. – Gênova, afligida por contínuas lutas internas, passou alternadamente ao domínio de Milão e da França.

Os Estados pontifícios, após o vergonhoso cativeiro de Avinhão e numerosos escândalos envolvendo o papado, como a série de papas e antipapas, estavam totalmente enfraquecidos. – No lado ocidental, a dinastia de Savóia anexou definitivamente o Piemonte em 1418. Em 1416, Amadeu VIII havia obtido o título de duque.

Depois envolveu-se no jogo dos papas e antipapas; em 1439 chegou a ser eleito papa como Fé te. Nas indústrias florentinas de sua propriedade produziam-se tecidos que eram exportados para as mais importantes cortes europeias.

Do exterior, importavam artigos de luxo, que, por sua vez, eram comercializados na própria Florença ou em outras cidades italianas. Finalmente, donos de grandes somas de dinheiro, acabaram, graças à sua experiência administrativa, tomando-se banqueiros.

O grande golpe de sorte, porém, surgiu quando lhes foram confiadas a administração das finanças e a arrecadação dos impostos do papado, e a lavra das minas situadas nas regiões do Lácio e da Toscana meridional, pertencentes à Igreja. Na verdade, o principal talento financeiro da família Mediei era Cosme, que, em 1429, herdou todos os bens da família e soube investi-los de maneira brilhante.

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Imagem: historiadomundo.uol.com.br

Torneios Medievais (Justas) – Guerreiro de São Miguel e São Jorge

Torneios Medievais (Justas)

Ao sagrar-se cavaleiro, o jovem guerreiro de São Miguel e São Jorge conquistava o direito de participar de justas e torneios, ou seja, daquelas competições que, entre os séculos X e XVII, constituíram os espetáculos mais luxuosos e apreciados pelo público.

O Torneio

O torneio era convocado solenemente por um arauto que, semanas antes, anunciava a intenção de um rei ou grande senhor feudal de conclamar para a festa os melhores cavaleiros do território. Os cavaleiros participantes erguiam seus pavilhões em torno de uma vasta esplanada em frente ao castelo (ou em seu jardim), chamada liça.

O escudo com o brasão do cavaleiro era pendurado a uma lança: isso tinha por objetivo declarar a identidade do participante e também permitir que outros acusassem – se fosse o caso – o cavaleiro que eventualmente tivesse cometido uma infâmia Quando tal acontecia, os juízes do torneio declaravam que o cavaleiro tinha uma mácula”, o que o desqualificava para a competição.

Quando a falta era muito grave, como nos casos de felonia (traição), o cavaleiro podia até ser expulso da ordem. Normalmente, o torneio estendia-se por vários dias. Eram dias de festa. registrando-se, além do público espectador, a presença de mercadores, adivinhos, prestidigitadores, mímicos, acrobatas, vagabundos e curiosos de todo tipo. Havia várias provas e todos os vencedores ganhavam prêmios.

Pelo regulamento, os cavaleiros batiam-se com armas ‘corteses”, ou seja, tornadas inofensivas (ou quase), sem ponta ou corte. A prova mais espetacular era ajusta, na qual dois contendores se enfrentavam a cavalo e depois apé, diretamente um contra o outro. Para desafiar um rival bastava apenas tocar com a ponta da lança o escudo pendurado em seu pavilhão. O desafio tinha que ser respondido.

As donzelas e os cavaleiros…

Uma vez na arena, os competidores davam uma volta completa pelo campo vestidos com a armadura completa, mostrando-se orgulhosos e galantes para com as damas presentes no palanque de honra.

Quase sempre, os cavaleiros levavam preso em volta do braço, sobre a lança ou em volta do pescoço, um véu ou lenço com as cores da dama em honra da qual declaravam. estar se batendo. Ao sinal dos juízes, os dois se lançavam a galope um contra o outro: o choque das lanças contra os escudos e armaduras era violento. Se nenhum dos dois fosse desmontado, o encontro se repetia.

Duelo no chão…

Mas se um dos cavaleiros fosse lançado ao solo, o outro também apeava do cavalo, e o duelo continuava no chão, com a espada e a dava. O perdedor tinha obrigação de declarar-se lealmente vencido. Caso contrário, os juízes encarregavam-se de declará-lo fora de combate. Ao vencedor cabia o prêmio que estava em jogo, além das armas, cavalos e a própria pessoa do vencido.

Derrota

De fato, este passava a ser considerado prisioneiro e só podia recuperar sua liberdade após pagar um alto resgate. O ponto máximo da festa era o torneio propriamente dito: um combate coletivo, em grupos, como se fosse uma verdadeira batalha, no qual se lutava com armas sem ponta. Mas o ardor dos cavaleiros era tal que freqüentemente a festa terminava mal. Num torneio realizado em 1240, na cidade alemã de Neuss, o combate degenerou a tal ponto que houve sessenta mortos.

Qual era a finalidade dos torneios medievais?

Ajudavam a manter o treinamento do cavaleiro e lhe permitiam manifestar sua bravura fora da guerra.

 

Cavaleiros Medievais Templários: Investidura

Cavaleiros medievais templários

 

Nesse artigo você saberá tudo sobre os Cavaleiros medievais templários. Seguindo uma tradição que ao longo do tempo se transformou em lei, o senhor feudal deixava suas terras, como herança, exclusivamente ao primeiro filho varão – o morgado. Isso evitava a fragmentação do feudo, mas afastava os demais filhos da base econômica de sua posição social. As filhas restava fazer um bom casamento, ou entrar para um convento.

Os filhos homens mais novos – os cadetes – recebiam uma soma em dinheiro que lhes permitiria viver de acordo com sua condição por alguns anos, além de uma armadura, um cavalo adestrado para o combate, armas e alguns ajudantes ou escudeiros. Recebiam também um conselho: que andassem pelo mundo e que, prestando serviços a um senhor, procurassem garantir um feudo para si mesmos. Esses filhos sem herança foram os primeiros cavaleiros.

Uma ordem (quase) religiosa

Levados da Asia central para a Europa por volta de 750, os estribos revolucionaram o combate sobre montaria, permitindo que o cavaleiro armado de lança investisse a todo galope sobre o adversário, sem que fosse derrubado da sela pelo impacto do golpe. Aquela época, a quantidade de cavalos na Europa era pequena, mas há registros que indicam um aumento significativo a partir de meados do século X. Os combatentes montados passaram a decidir as guerras.

O prestígio dos cavaleiros era grande por esse motivo e também porque seu número era reduzido, seu equipamento, caro, e seu treinamento, prolongado. O código de conduta da Cavalaria combinava ideais cristãos e militares: bravura, piedade, honra, lealdade e auto-sacrifício.

Os cavaleiros deviam também defender as damas e combater pela fé cristã contra os sarracenos. Muitos formavam no exército de um senhor poderoso; outros (especialmente os normandos) tinham obrigação de combater em ocasiões determinadas; muitos cavaleiros, porém, sem terem um senhor permanente, eram mercenários e vendiam seus serviços a quem pagasse mais.

A educação dos Cavaleiros medievais templários

Normalmente, o preparo do cavaleiro começava por volta dos 7 ou 8 anos, idade em que o menino era afastado dos cuidados matemos e colocado a serviço de um senhor, tomando-se, assim, um pajem. Cabia-lhe a obrigação de ser um devotado servo de alta categoria. Por volta dos 14 anos, tomava-se escudeiro, ou seja, ajudante militar e servidor particular de seu senhor.

Com seu amo e senhor, ao qual jurava devoção e fidelidade absolutas, o aspirante a cavaleiro aprendia o manejo das diferentes armas: arco, espada, dava e lança. Era treinado para cavalgar a rédeas soltas, segurando com uma das mãos o escudo e com a outra a longa e pesada lança, e apertando a sela fortemente com os joelhos, de modo a resistir ao choque da lança do adversário que tentava derrubá-lo.

Habituava-se a desviar-se dos golpes adversários praticando com o “sarraceno”, um manequim de madeira, mais ou menos vestido como um cavaleiro muçulmano, montado sobre um eixo. Galopando, lançava-se contra o escudo que o “sarraceno” segurava numa das mãos, tentando atingi-lo com sua espada; mas, imediatamente, tinha que se defender do golpe que o manequim, girando sobre o eixo, lhe desfechava com a dava que trazia presa à outra mão. O treinamento de um escudeiro durava cerca de sete anos. Ao fim desse tempo, ele era investido cavaleiro.

 

A cerimônia de investidura

Normalmente, a cerimônia de investidura acontecia durante os feriados da Ascensão, festejada no quarto dia após a Páscoa. Os Cavaleiros medievais templários recebia então, do senhor ao qual servira durante catorze anos e que aceitava ser seu padrinho, um caro e completo equipamento.

Na véspera, o jovem guardava jejum, confessava-se e tomava um banho, atos que traduziam seu desejo de purificação. Em seguida vestia uma camisa branca e uma túnica vermelha, esta representando o sangue que estava disposto a verter em defesa da fé cristã e da justiça. Ao escurecer, começava a “vigília das armas — na capela do castelo, em cujo altar tinham sido postos sua espada, suas esporas de ouro (privilégio exclusivo dos cavaleiros) e seu elmo.

Ao amanhecer, o som de trompas convocava os convidados para a cerimônia. O jovem, após ter passado a noite rezando, assistia à missa, comungava e ouvia um sermão sobre os deveres do cavaleiro. O próprio cavalo de batalha, recoberto por um baixeiro de tecido bordado, era levado para dentro da capela. Ajoelhado diante do padrinho, o futuro cavaleiro ouvia as palavras rituais: “Por que pretendeis entrar para a Cavalaria? Se for para enriquecerdes ou conseguirdes vãs honrarias, não sois digno!”.

E então, com a mão espalmada sobre o Evangelho, o jovem jurava solenemente respeitar as regras da Cavalaria. Em seguida, os pajens ajudavam-no a vestir a armadura: cota de malha, couraça, braçais e perneiras de ferro. Aí ele podia afivelar à cintura sua espada, da qual não deveria mais separar-se. Então, o padrinho ajoelhava-se diante dele, para amarrar-lhe as esporas.

Enfim, cavaleiro…

Ao levantar-se, o padrinho tocava-lhe os ombros e a cabeça com a parte chata da lâmina de sua própria espada (simbolizando as últimas ofensas que o Cavaleiros da Idade Media poderia admitir sem ser obrigado a lavar a honra), dizendo, segundo o ritual: “Em nome de Deus, de São Miguel e de São Jorge, eu vos armo cavaleiro. Sede valente, leal e generoso”.

O novo cavaleiro respondia: “Juro servir fielmente durante toda a minha vida a Deus e a meu senhor”. Em meio ao entusiasmo dos presentes, o cavaleiro colocava o elmo, segurava a lança, montava seu cavalo e saía da capela a galope. Cavalgava por um bom tempo. Simbolicamente, começava a errar pelo mundo na defesa dos fracos e oprimidos, a serviço de Deus e da justiça. E, assim, o novo cavaleiro, além de contrair a obrigação de lealdade com relação a quem o investia, associava-se a uma ordem internacional que tinha o mesmo ideal e a mesma disciplina.

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