Seleção Natural: Evolução e Lei do Mais Forte

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Existe hoje uma enorme variedade de espécies de plantas (mais de 250 000) e animais (cerca de 1 milhão). Todas essas espécies (e também as extintas) são, provavelmente, descendentes de uma única forma de vida, bastante simples, que surgiu no mar há mais de três bilhões de anos.

Portanto, as plantas e animais mudaram e mudam ainda com o tempo, diferenciando-se do ancestral comum e difundindo-se sobre a Terra: esse grande processo natural, incessante, é a evolução.

Trata-se de um fenômeno muito complexo, embora seus mecanismos fundamentais sejam essencialmente três: as mutações, a seleção natural e o isolamento.

Início da teoria

Entre as mariposas-das-bétulas normais, de coloração esbranquiçada, mesmo em regiões nas quais as bétulas não são enegrecidas pelo smog, podem-se encontrar, de vez em quando, exemplares negros. Já há vários decênios sabe-se que essas aparentes anomalias são o resultado de um fenômeno genético, a mutação.

Esse termo designa um “desvio” na duplicação do código genético contido nos cromossomos, em função do qual um ser resulta diferente dos genitores em uma ou mais características.

Nem sempre, porém, as mutações resultam em diferenças marcantes, como no caso da mariposa-das-bétulas. Ao contrário, a variabilidade normal observada em cada animal e vegetal depende de mutações quase imperceptíveis que ocorrem ao longo de inumeráveis gerações.

Lei do mais Forte

A propósito da mariposa-das-bétulas, já se viu que, em condições normais, os exemplares mais escuros têm pouca probabilidade de escapar aos predadores e de viver o bastante para reproduzir-se, transmitindo suas características e dando origem a outras mariposas semelhantes.

Em condições incomuns (no caso, a poluição industrial), ao contrário, a for ma negra toma-se um “modelo vencedor”, mais adaptado a sobreviver, mimetizando-se no ambiente modificado.

Esse fato demonstra que algumas mutações geralmente consideradas desvantajosas podem, em cegos casos, revelar-se úteis à sobrevivência dos indivíduos.

Seleção Natural

Para entender o que seja seleção natural é preciso voltar, mais uma vez, à mariposa-das-bétulas, procurando compreender os mecanismos que levaram a raríssima forma negra a tomar-se dominante nas zonas poluídas pelo smog.

Em condições normais, as raras mariposas negras sucumbem rapidamente aos ataques dos predadores e quase nunca chegam a reproduzir-se. Para surgirem outras tornam-se necessárias novas mutações, que são bastante raras na natureza.

Sobre os troncos de bétulas enegrecidas pelo smog, as mariposas negras mimetizam-se bem e, portanto, chegam mais facilmente ao estágio de reprodução; a maioria das mariposas brancas “normais”, por serem muito visíveis nos troncos escuros, são vitimadas pelos predadores, antes de se reproduzirem.

Assim, com o passar das gerações, as mariposas negras se tomarão cada vez mais comuns e as brancas cada vez mais raras, invertendo a relação original.

Charles Darwin

Charles Darwin, o idealizador da teoria evolucionista, definiu mecanismos desse tipo com a expressão seleção natural. Tal termo, porém, não deve induzir a engano, pois seleção natural não subentende a existência de alguma “vontade” que opere uma seleção.

Trata-se, simplesmente, da constatação de um fato: em qualquer população de indivíduos, há aqueles que, por possuírem determinadas características, resultam mais adaptados ao ambiente e, portanto, têm maiores probabilidades que os demais de reproduzir-se e transmitir essas características à própria descendência.

Assim, na geração seguinte, tais características setio mais freqüentes que na precedente. Se essas ligeiras variações se “consagrarem”, repetindo-se por milhares de gerações, poderão conduzir inclusive à formação de espécies diferentes.

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Duas teorias em confronto

Quando Darwin publicou sua obra sobre a evolução dos seres vivos, já existiam outras teorias evolucionistas, a mais famosa das quais era a do naturalista francês Jean Baptiste Lamarck.

O confronto dessas duas teorias – aplicadas à explicação das razões por que a girafa tem pescoço muito longo – deu origem a uma célebre questão científica.

Ambos os estudiosos estão de acordo em relação a um fato: o comprimento do pescoço da girafa é o resultado da adaptação ao hábito de alimentar-se da copa das árvores.

Cada uma das teorias, porém, explica de modo diferente a formação dessa estranha característica. Para Lamarck, os antepassados da girafa, outrora de modesta estatura, estendiam o pescoço ao máximo para poder atingir as folhas que escapavam aos demais herbívoros.

Segundo ele, o contínuo uso de uma parte do corpo conduz ao seu desenvolvimento, que é transmitido à prole. Isso explicaria como, depois de inúmeras gerações, o pescoço da girafa chegou ao comprimento que tem hoje.

Tal teoria poderia aplicar-se ao mecanismo da evolução, não fosse por um detalhe: ao que se sabe, os caracteres desenvolvidos em um indivíduo por meio do “uso” de certas partes do corpo não podem ser transmitidos à descendência.

Explicação

Com base na teoria de Darwin, o pescoço comprido da girafa explica-se pela seleção natural: entre os ancestrais desse animal, os mais favorecidos na competição com os demais herbívoros eram os exemplares que nasciam com pescoço mais longo e que, por esse motivo, tinham maior probabilidade de alcançar a idade da reprodução, transmitindo à prole essa característica.

As mesmas considerações valiam também para seus descendentes e até para outras espécies que superassem em altura qualquer outro herbívoro: nesse caso, todos os exemplares dessas espécies seriam favorecidos, no confronto com os demais herbívoros.

Dentro de uma mesma espécie, aqueles exemplares que tivessem pescoço mais longo sairiam beneficiados na competição com seus próprios parentes.

Mesmo não tendo sido cientificamente comprovada, essa teoria é mais aceita porque harmoniza-se melhor com os dados observados na natureza.

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Imagem- laporanpenelitian.com           salon.com

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