Arte Africana: Pintura, Artesanato e Características

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O atual reconhecimento da arte africana pelo Ocidente deve-se a um novo enfoque que os próprios ocidentais começaram a dar a outras sociedades a partir do século XX.

Contexto Histórico da Arte Africana

Antropólogos como LéviStrauss chegaram a provar que as sociedades ditas “primitivas” têm uma cultura tão complexa como a nossa.

No começo do século XX, a arte africana chegou a influenciar movimentos europeus como o Cubismo. Um dos motivos dessa influência foi o caráter expressionista da arte africana, uma arte que se preocupa muito mais em captar o “sentido” de uma coisa do que em representá-la “fotograficamente”.

Entre os africanos, os estímulos para a criação artística são fornecidos principalmente pela religião e pela magia. Além de possuir valor estético, a arte africana é um documento da vida social das tribos que a produzem.

E uma arte viva e utilitária: ao mesmo tempo que exprime uma concepção de mundo, produz objetos que são usados cotidianamente nesse mesmo mundo.

Características

Pintura

A pintura é empregada na decoração das paredes dos palácios reais, dos celeiros, das choupanas sagradas. Seus motivos, muito variados, vão desde formas essencialmente geométricas até a reprodução de cenas de caça e guerra.

Serve também para o acabamento das máscaras e para os adornos corporais. A arquitetura está condicionada pela paisagem e pelas necessidades econômicas. Assim, a escolha dos materiais depende do ambiente.

Artesanato e Escultura

As técnicas de uso mais corrente são as da cerâmica (casas de bano) e a das fibras trançadas. A mais importante manifestação da arte africana é, porém, a escultura.

Os objetos esculpidos servem para prestar culto aos deuses, espíritos ou antepassados ou para atrair benefícios através de encantos ou feitiços. A madeira é um dos materiais preferidos.

Ao trabalhá-la, o escultor associa outras técnicas (cestaria, pintura, colagem de tecidos). Os estilos variam muito. Ao lado de uma tendência à geometrização, com destaque para a forma vertical, coexiste, ainda que em escala menor, uma produção naturalista, mais próxima do real.

Dentro da escultura, as máscaras merecem especial destaque. Elas simbolizam as diversas atividades da vida e muitas vezes são um espelho do deus. O escultor procura imprimir-lhes a força de uma expressão interior.

O sentido religioso das máscaras também está presente nas estátuas e fetiches. As estátuas geralmente representam os antepassados.

Os fetiches servem para invocar os espíritos protetores, os quais podem ser bons ou maus, característica determinada pela expressão do rosto – suave ou cruel, conforme o caso.

A arte africana utiliza todos os materiais disponíveis: madeira, marfim, argila cozida (terracota), pedra e metais como bronze, cobre, latão e ouro.

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Papel do Artista

Na África, ao invés de se destacar individualmente, o escultor atua como um intérprete da comunidade. A ele cabe concretizar, a partir de suas obras, o sentimento coletivo da tribo.

Em certas sociedades, essa função, as técnicas e os instrumentos de trabalho são passados de geração a geração. Em muitos locais, o escultor é comparado a um herói cultural.

Dado o caráter religioso da arte africana, antes de iniciar seu trabalho, o artista realiza uma espécie de purificação. Mas, em lugares onde o poder do rei é absoluto, essa religiosidade cede lugar a uma glorificação do soberano.

A explosão da Arte Africana

A descoberta da arte negra no início do século XX pelos europeus, ao mesmo tempo que gerava acirrada polêmica, deu um grande impulso a essa arte.

Já em 1919, quando se realizou na França a primeira exposição de arte africana, as opiniões se dividiam. Apontada por uns como exemplo da “verdadeira escultura” e atacada por outros que a consideravam uma arte “primitiva”, o fato é que a arte negra viria a ter inegável influência em vários movimentos artísticos modernos.

Mas, apesar desse momento de glória, a arte africana sofre hoje um processo de destruição. Entre as causas dessa destruição citam-se a assimilação do cristianismo ou do islamismo, a introdução de alterações nos tipos de culto, assim como os abalos na estrutura tradicional, decorrentes das transformações sociais.

O crescimento das cidades eliminou vínculos que o homem mantinha com seu meio natural e com os objetos artísticos a ele relacionados.

Além disso, o fato de o artista trabalhar atualmente para um público de mercado influi na sua criação, que deixa de ser “sagrada” e se toma mercadoria “profana”.

Por outro lado, um importante movimento conhecido como “Negritude” age no sentido de recuperar os tradicionais valores negro-africanos.

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Imagem- literatercia.wordpress.com      forumitaborai.fiocruz.br

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